Os três tomos foram seu chão, seu caminho e sua verdade. Não há como apagar o que foi vivido e escrito. Basta praticar o ato da lembrança e assim se torna eterno sua viagem. Mas não parou por ai. A Divina Trindade de sua própria vida expandiu-se e, assim que aquele menino se despediu de seu familiar, a história continuava em algum ponto, de alguma forma. Eram as linhas secretas e passagens que só Ela poderia gostar de saber. E ela não hesitou em perguntar o que houve. Onde os anos o haviam levado. Enquanto a realidade cuidava dos dois para sumir, sua voz foi como veludo repousando sob a existência dela. Alimentando, mais uma vez (como sempre fez) a curiosidade da senhora ali presente.
A curiosidade que abre mais um tomo, e essa é uma de suas páginas...
Ele caminhou, caminhou e seu caminho, pra dizer que não tinha só pedras, houve muita ação e desaventuras de tal modo que usou-se as antigas armas para tentar sobreviver. Mesmo moderando, aos poucos foi vítima do gás toxico e seu coração, mais uma vez, foi vítima daquela lâmina.
Ele se encontrava não parado, mas observando, estudando, de modo quase ocioso.
Ele estava cômodo, protegido como podia, inseguro com um possível retorno.
Mas haviam laços despedaçados, perdidos, desfeitos. E a vida trouxe, numa caixa de sustos e sentimentos, um convite para uma breve passagem no cenário de seus sonhos com sabor de pesadelos. O endereço da caixa veio exatamente desse lugar.
Ele havia perdido aquilo que julgava importante. Ele já não sentia uma importância dentro de si, mas mantinha-se em pé, de alguma forma. Seu trono foi abalado justamente quando se deparou que REALMENTE precisava retornar, porque mesmo o amor inexistente dentro de si, ele ainda dava importância ao seu gostar.
Suas noites foram em claro, olhos pesados, mareados, perdidos...
Estava ali, o começo de uma suposta perda, e tendo de de enfrentar estruturas enegrecidas de seus erros e de quem não aceitava suas falhas.
Não era uma muralha. Era uma cidade inteira.
Alimentou-se, ainda que sua boca mal abria, das compaixões próximas.
Alimentou-se dos tapas e surras na face de quem oferece o outro lado, por merecer apanhar.
Alimentou-se do medo e das sombras invisíveis que cismavam visita-lo no lugar de trabalho e na sua casa...
Bateu tudo no coração. Houve a mistura. Houve o levantar, a mala ligeiramente pronta contendo tudo e além do que não precisava. E foi, sem avisar.
Os quilômetros avançados eram como flechas que fincavam cada vez mais forte no corpo de quem avançava contra. Sua viagem tinha sim, gosto de estar viajando forçadamente e contra o vento.
A mente foi se perguntando o que poderia acontecer. Como seria. Que clima encontraria em seu itinerário: Sol e tempo aberto ou Chuva e tempestade friamente cinza?
Num curto momento desamparado, olhou por curiosidade acima, e á sua direita. Teve a visão de algo que jamais imaginou estar ali, para reconforta-lo. Aquilo que sempre acalmou seu coração. E as lembranças o levaram à tristes páginas filosóficas e a um quintal escuro, de muito tempo atrás, que servira de proteção ao pequeno estudioso dos brilhos inalcançáveis...
Uma dor bem localizada cismava em doer. Pontadas era a comunicação feito Código Morse em sua caixa torácica avisando dos próximos momentos que os olhos captariam.
Cada subdivisão ele reconhecia algumas frases, algumas músicas. A película na cena era espantosamente antiga. Carregava em si centenas de anos: o trajeto de um coração puro rumo à distorção.
Os meses e os acontecimentos voltaram à superfície em uma velocidade incrível, que o fez pensar como tivera bancado o ingenuo achando que havia esquecido de tudo. Ali, cada fragmento de calçada, parede ou realidade, só ele assistia as cenas do passado, vivas, se mexendo e se contrapondo à visão noturna e real. Manhã, tarde e noite tudo ao mesmo tempo, numa tela à óleo de um Artista Expressionista, Auto-realista e Surrealista.
Seus passos o levaram a mais nova realidade. E o que encontrou assim que chegou foi um outro cenário. Ou melhor: o cenário era o mesmo, mas existia uma fina camada de areia que dizia que ali,o pó do esquecimento repousara na vida dos moradores da cidade, fazendo se esquecer daquilo que ele jamais tinha esquecido...
No teatro da vida, ali as ações e conversas diziam claramente que o mesmo vento que trouxe a areia, arrancou um capítulo antes, se tornando inexistente naquele lugar o que ele trazia consigo.
Sorriu e desejou, por alguns segundos, que o vento tivesse sido mais forte...
Tanto no sol quanto no escuro, andava cautelosamente, ainda que esbanjando cores. As cenas estavam ali, mas o brilho do Sol era mais forte a ponto de faze-lo se sentir um pouco confortável. Entretanto sabia que estava ali para ajudar em algo que futuramente poderia ser grande e difícil de derrubar.
Um de seus erros foi ter esquecido muita coisa depois de alguns dias...
Achou que acordou demasiadamente tarde. Não. Ele apenas fechou os olhos, querendo que permanecesse assim para sempre.
segunda-feira, 11 de março de 2013
quinta-feira, 7 de março de 2013
A Lenda da Tristeza e a Felicidade Humana
Gostaria de não ter tido todo esse espaço de tempo entre essa postagem e a última. Soa como relaxo ou descuido...
Ah, boa noite leitor ou leitora desse humilde e torto blog (ainda não reparou que eu penso de forma controversa e torta? Então começa a reparar...rs). Como podem perceber, estou escrevendo de noite aqui, portanto, caso veja em um horário diferente, substitua o termo que usei para o do seu atual Presente.
Enquanto eu esboço o texto da próxima semana, esse vem quentinho, com dedicatórias. Parando com a enrolação, hoje o texto vai ser uma espécie de homenagem ao Dia Internacional da Mulher, mas com algumas diferenças. Esqueça se caso você leitor(a) veio até aqui buscando informações de datas ou acontecimentos históricos em torno do tema, pois aqui não encontrará material para fazer o seu trabalho de História ou Sociologia.
Também sinto informar caso procure meu ponto de vista na sociedade feminista atual, porque o que penso sobre isso, no momento, pretendo ainda não divulgar.
Para variar, o tema de hoje está, assim como todos os outros, com a mente nas alturas, sempre divagando em primeira instância se os pés estão bem colados ao chão. Como sempre parecem que não, então vamos logo sobre do que se trata ,sem rodeios.
O ano data o de 2010, e eu era ainda bicho na faculdade de Pedagogia. Na semana do Dia Internacional da mulher, a professora de Filosofia (Professora Fátima, um Beijo pra você!^__^) pediu para que cada um de nós escrevêssemos uma lenda onde contava como surgiu em nosso mundo a Tristeza e a Felicidade. Uniu-se então as duas coisas que bem gosto de ter: Aulas de Filosofias e aulas de Redação.
Aceitei o desafio de peito aberto e , aproveitando-se do dia 8 de Março que se aproximava, dedico, assim como dediquei às todas as mulheres daquela classe que hoje se encontram formadas, à todas as outras mulheres que estão lendo esse blog ou não, e que lutam diariamente, trabalhando como podem esses dois sentimentos internos que nos seguem até o fim da vida. E, as vezes, após também...
Eis a Redação (que acabou virando uma História) :
O mito da Criação da Tristeza e da Felicidade Humana
Ao contrário do que dizem que a primeira criação humana de Deus foi o Homem, na verdade foram duas Mulheres. Muito antes de Adão e Eva e consequentemente o surgimento de Lilith.
Deus estava criando o Universo e, enquanto criava, pensava em dar origem à uma raça de criatura que pudesse se expressar honestamente, independente da sua inteligência, entretanto que fosse sincera para com seus próprios sentimentos. Então Ele, sobre a forma mais bela e singela, frágil e delicada, fez a Mulher, propositalmente desse jeito, para que ela fosse inibida de se esconder por trás de qualquer aparência forte, robusta e que pudesse ocultar qualquer pensamento ou atitude.
Feito a primeira Mulher, O Criador achou que tinha se superado (se é que isso era possível). E, pensando num rápido aprendizado dessa nova raça, Deus fez uma outra mulher, muito similar à primeira. A intenção de Deus era colocar as duas para atuar no Palco Da Vida e testar a nova fórmula que ele inventou e achou indispensável para essa nova raça: O Sentimento.
Essas duas criações precisavam de nomes. Até então as duas fora sua maior e melhor obra. Deu o nome de Felícia para uma e Tristânia para outra. No entanto ele decidiu que, na vida que elas levariam, ele facilitaria apenas para uma delas, para que ambas aprendessem coisas diferentes uma com a outra.
Ele criou também um lugar especial para elas: um mini-planeta planeta chamado Amahzonn e arquitetou de modo que uma morasse de frente para outra, como vizinhas.
Para Felícia, Deus lhe deu uma bela casa: grande, alta, com um belo jardim na frente. Flores, rosas, borboletas e alguns pequenos animais faziam parte com maestria. Felícia então deu o nome de Édeno para o seu jardim abençoado. Nada faltava na casa dela. Tudo era muito bonito e abundante.
Para Tristânia, embora a casa dela fosse do mesmo tamanho que a da Felícia, sua casa não tinha cor ou vida e também não fora concedido o mesmo jardim como o da sua vizinha. No entanto era grata por poder presenciar aquela visão maravilhosa que tinha em frente à sua casa, do jardim de Felícia. E, conforme o tempo passou, elas se tornaram amigas inseparáveis. Quase todo instante Tristânia estava na casa de Felícia brincando ou conversando, ou ainda ajudando nas tarefas de cuidar da bela casa e do belo jardim da amiga.
Mas, no fim do dia, quando Tristânia voltava para casa, ela sentia um vazio. Olhava tudo aquilo e não entendia por que a amiga tinha toda aquela beleza ao seu redor e ela não. Tristânia se conformava de algum jeito...
O que ela sentia naquele momento era algo muito diferente da inveja. Era apenas um vazio, um buraco dentro dela que a consumia em pensamentos por ser incapaz de possuir tamanha beleza ao seu redor. Entretanto respeitava muito o que Deus tinha dado apenas para a sua amiga.
Tudo isso a transformou num ser cada vez mais calado, sério, dentro de seus próprios pensamentos. Felícia, ao contrário, sempre estava com um sorriso singelo em seu rosto cativante, meigo, lindo...
Felícia havia notado que sua amiga estava cada vez mais quieta, séria e não conseguia entender o porque dessa gradual mudança. Para a dona do jardim mais belo nada era evidente.
Sucedeu-se porém que um dia, Deus, observando e anotando minuciosamente as atitudes de suas duas criações, acidentalmente esbarrou em uma bacia gigantesca de água, que ele havia criado para preencher sua mais nova obra chamada Terra. Esse acidente fez com que boa parte fosse derrubada em cima do pequeno planeta Amahzonn onde, naquele momento, Felícia estava dentro de sua casa e Tristânia, na sua.
Da janela, a moça que não tinha o jardim bonito viu uma enorme montanha de água vindo em direção da casa da Felícia. Aquele sentimento de desespero tomou conta de todo seu ser e correu impulsivamente, sem saber o porque, na direção da casa da amiga.
Gritou para que Felícia se agarrasse nos pilares de sua casa e não saisse de lá até que a enorme montanha de água passasse.
Tristânia, Abrindo os braços, se colocou entre a gigantesca onda e a rosa do começo do jardim, que ela mesma tinha plantado no dia anterior.
De dentro da casa, Felícia, pela primeira vez, sentiu seu rosto como o da amiga: não estava sorrindo mais... E, fechando os olhos, sentiu a enorme onda engolir seu jardim, sua amiga e boa parte da sua casa. Aguentou firmemente, agarrado nos pilares, até que a enchente passasse. Após o incidente, ela correu para o jardim e viu tudo destruído. O rosto de Felícia estava cada vez mais com uma expressão assustada, séria, sem entender o que acontecera.
Ela caminhou até o corpo de sua amiga que estava ali, deitado, sem se mexer, com a rosa que tentara proteger, em suas mãos, agarrada em seu peito que já não mais batia um coração. Porém, a expressão de Tristânia estava diferente: havia um sorriso sutil, singelo, inocente como era o da Felícia. Essa, por sua vez, tocou no rosto da sua amiga morta e, logo em seguida no seu próprio e notou que não conseguia mais sorrir. Aquele sentimento bom que existia dentro dela não a pertencia mais. Havia perdido tudo o que tinha, inclusive sua única amiga.
Deus, lá de cima, percebeu que ali ocorrera dois sentimentos opostos à flor da pele. Também sentiu muito pela perda de uma das suas criações que amava tanto. Em homenagem, definiu que, tanto ele, Ser Supremo, quanto Felícia, estavam TRISTES.
Vendo que sua outra criação não conseguia mais viver com tudo o que perdeu, tirou a vida de Felícia e abandonou o seu projeto.
Entretanto, Deus também observou atentamente no sorriso de Tristânia e percebeu que, naquele último momento, ela estava certa para com o que e quem ela queria proteger. Naquele momento, ela havia chegado ao ápice do sentimento natural de Felícia. Concluiu então que Tristânia estava FELIZ.
Apenas muito tempo depois Deus retomou o seu projeto de criação da Humanidade e em homenagem a suas duas primeiras criações, Ele embutiu em nós esses dois sentimentos que chamamos de Tristeza e Felicidade Humanas.
FIM
Mulheres, fiz esse mito pensando em vocês e homenageando vocês. Parabéns pelo Dia Internacional da Mulher (que é todo dia) e que não cessamos tão cedo essa guerra dos sexos: é muito prazeroso conflitar nossas diferenças e ameniza-las no parque, no cinema ou mesmo na cama. o/
Um beijo especial pra todas as mulheres que fizeram e fazem a diferença no meu dia a dia: mães, avós, amigas e as futuras...
Ah, boa noite leitor ou leitora desse humilde e torto blog (ainda não reparou que eu penso de forma controversa e torta? Então começa a reparar...rs). Como podem perceber, estou escrevendo de noite aqui, portanto, caso veja em um horário diferente, substitua o termo que usei para o do seu atual Presente.
Enquanto eu esboço o texto da próxima semana, esse vem quentinho, com dedicatórias. Parando com a enrolação, hoje o texto vai ser uma espécie de homenagem ao Dia Internacional da Mulher, mas com algumas diferenças. Esqueça se caso você leitor(a) veio até aqui buscando informações de datas ou acontecimentos históricos em torno do tema, pois aqui não encontrará material para fazer o seu trabalho de História ou Sociologia.
Também sinto informar caso procure meu ponto de vista na sociedade feminista atual, porque o que penso sobre isso, no momento, pretendo ainda não divulgar.
Para variar, o tema de hoje está, assim como todos os outros, com a mente nas alturas, sempre divagando em primeira instância se os pés estão bem colados ao chão. Como sempre parecem que não, então vamos logo sobre do que se trata ,sem rodeios.
O ano data o de 2010, e eu era ainda bicho na faculdade de Pedagogia. Na semana do Dia Internacional da mulher, a professora de Filosofia (Professora Fátima, um Beijo pra você!^__^) pediu para que cada um de nós escrevêssemos uma lenda onde contava como surgiu em nosso mundo a Tristeza e a Felicidade. Uniu-se então as duas coisas que bem gosto de ter: Aulas de Filosofias e aulas de Redação.
Aceitei o desafio de peito aberto e , aproveitando-se do dia 8 de Março que se aproximava, dedico, assim como dediquei às todas as mulheres daquela classe que hoje se encontram formadas, à todas as outras mulheres que estão lendo esse blog ou não, e que lutam diariamente, trabalhando como podem esses dois sentimentos internos que nos seguem até o fim da vida. E, as vezes, após também...
Eis a Redação (que acabou virando uma História) :
O mito da Criação da Tristeza e da Felicidade Humana
Ao contrário do que dizem que a primeira criação humana de Deus foi o Homem, na verdade foram duas Mulheres. Muito antes de Adão e Eva e consequentemente o surgimento de Lilith.
Deus estava criando o Universo e, enquanto criava, pensava em dar origem à uma raça de criatura que pudesse se expressar honestamente, independente da sua inteligência, entretanto que fosse sincera para com seus próprios sentimentos. Então Ele, sobre a forma mais bela e singela, frágil e delicada, fez a Mulher, propositalmente desse jeito, para que ela fosse inibida de se esconder por trás de qualquer aparência forte, robusta e que pudesse ocultar qualquer pensamento ou atitude.
Feito a primeira Mulher, O Criador achou que tinha se superado (se é que isso era possível). E, pensando num rápido aprendizado dessa nova raça, Deus fez uma outra mulher, muito similar à primeira. A intenção de Deus era colocar as duas para atuar no Palco Da Vida e testar a nova fórmula que ele inventou e achou indispensável para essa nova raça: O Sentimento.
Essas duas criações precisavam de nomes. Até então as duas fora sua maior e melhor obra. Deu o nome de Felícia para uma e Tristânia para outra. No entanto ele decidiu que, na vida que elas levariam, ele facilitaria apenas para uma delas, para que ambas aprendessem coisas diferentes uma com a outra.
Ele criou também um lugar especial para elas: um mini-planeta planeta chamado Amahzonn e arquitetou de modo que uma morasse de frente para outra, como vizinhas.
Para Felícia, Deus lhe deu uma bela casa: grande, alta, com um belo jardim na frente. Flores, rosas, borboletas e alguns pequenos animais faziam parte com maestria. Felícia então deu o nome de Édeno para o seu jardim abençoado. Nada faltava na casa dela. Tudo era muito bonito e abundante.
Para Tristânia, embora a casa dela fosse do mesmo tamanho que a da Felícia, sua casa não tinha cor ou vida e também não fora concedido o mesmo jardim como o da sua vizinha. No entanto era grata por poder presenciar aquela visão maravilhosa que tinha em frente à sua casa, do jardim de Felícia. E, conforme o tempo passou, elas se tornaram amigas inseparáveis. Quase todo instante Tristânia estava na casa de Felícia brincando ou conversando, ou ainda ajudando nas tarefas de cuidar da bela casa e do belo jardim da amiga.
Mas, no fim do dia, quando Tristânia voltava para casa, ela sentia um vazio. Olhava tudo aquilo e não entendia por que a amiga tinha toda aquela beleza ao seu redor e ela não. Tristânia se conformava de algum jeito...
O que ela sentia naquele momento era algo muito diferente da inveja. Era apenas um vazio, um buraco dentro dela que a consumia em pensamentos por ser incapaz de possuir tamanha beleza ao seu redor. Entretanto respeitava muito o que Deus tinha dado apenas para a sua amiga.
Tudo isso a transformou num ser cada vez mais calado, sério, dentro de seus próprios pensamentos. Felícia, ao contrário, sempre estava com um sorriso singelo em seu rosto cativante, meigo, lindo...
Felícia havia notado que sua amiga estava cada vez mais quieta, séria e não conseguia entender o porque dessa gradual mudança. Para a dona do jardim mais belo nada era evidente.
Sucedeu-se porém que um dia, Deus, observando e anotando minuciosamente as atitudes de suas duas criações, acidentalmente esbarrou em uma bacia gigantesca de água, que ele havia criado para preencher sua mais nova obra chamada Terra. Esse acidente fez com que boa parte fosse derrubada em cima do pequeno planeta Amahzonn onde, naquele momento, Felícia estava dentro de sua casa e Tristânia, na sua.
Da janela, a moça que não tinha o jardim bonito viu uma enorme montanha de água vindo em direção da casa da Felícia. Aquele sentimento de desespero tomou conta de todo seu ser e correu impulsivamente, sem saber o porque, na direção da casa da amiga.
Gritou para que Felícia se agarrasse nos pilares de sua casa e não saisse de lá até que a enorme montanha de água passasse.
Tristânia, Abrindo os braços, se colocou entre a gigantesca onda e a rosa do começo do jardim, que ela mesma tinha plantado no dia anterior.
De dentro da casa, Felícia, pela primeira vez, sentiu seu rosto como o da amiga: não estava sorrindo mais... E, fechando os olhos, sentiu a enorme onda engolir seu jardim, sua amiga e boa parte da sua casa. Aguentou firmemente, agarrado nos pilares, até que a enchente passasse. Após o incidente, ela correu para o jardim e viu tudo destruído. O rosto de Felícia estava cada vez mais com uma expressão assustada, séria, sem entender o que acontecera.
Ela caminhou até o corpo de sua amiga que estava ali, deitado, sem se mexer, com a rosa que tentara proteger, em suas mãos, agarrada em seu peito que já não mais batia um coração. Porém, a expressão de Tristânia estava diferente: havia um sorriso sutil, singelo, inocente como era o da Felícia. Essa, por sua vez, tocou no rosto da sua amiga morta e, logo em seguida no seu próprio e notou que não conseguia mais sorrir. Aquele sentimento bom que existia dentro dela não a pertencia mais. Havia perdido tudo o que tinha, inclusive sua única amiga.
Deus, lá de cima, percebeu que ali ocorrera dois sentimentos opostos à flor da pele. Também sentiu muito pela perda de uma das suas criações que amava tanto. Em homenagem, definiu que, tanto ele, Ser Supremo, quanto Felícia, estavam TRISTES.
Vendo que sua outra criação não conseguia mais viver com tudo o que perdeu, tirou a vida de Felícia e abandonou o seu projeto.
Entretanto, Deus também observou atentamente no sorriso de Tristânia e percebeu que, naquele último momento, ela estava certa para com o que e quem ela queria proteger. Naquele momento, ela havia chegado ao ápice do sentimento natural de Felícia. Concluiu então que Tristânia estava FELIZ.
Apenas muito tempo depois Deus retomou o seu projeto de criação da Humanidade e em homenagem a suas duas primeiras criações, Ele embutiu em nós esses dois sentimentos que chamamos de Tristeza e Felicidade Humanas.
FIM
Mulheres, fiz esse mito pensando em vocês e homenageando vocês. Parabéns pelo Dia Internacional da Mulher (que é todo dia) e que não cessamos tão cedo essa guerra dos sexos: é muito prazeroso conflitar nossas diferenças e ameniza-las no parque, no cinema ou mesmo na cama. o/
Um beijo especial pra todas as mulheres que fizeram e fazem a diferença no meu dia a dia: mães, avós, amigas e as futuras...
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Limbo, Umbral, Pandeiro & Carnaval
Hoje vai ser aquele texto direto, reto e recheado de palavrões sobre problemas comuns. Então logo nesse primeiro parágrafo já aviso os 2 tipos de bastardos: Aqueles que nem leem até o fim por "preguiça" trê linhas já são o suficiente para treinar seu maravilhoso português diário; pare agora. O segundo tipo de bastardos são aqueles que lerão, mas por puro entretenimento. Já mando esses à merda logo porque é de lá que se enfiam e preferem se esconder. Nada contra: faça das suas merdas o que quiserem, inclusive seu refúgio. O Facebook, jogos,novelinhas chinfrins e eventos de animê estão ai pra isso...
Vou falar muito palavrão porque dentre tantos motivos (culpa minha!), não quero que sejam divulgados em jornais, onde metidos a ingleses de roupão vermelho, monóculo e cartola leem tomando seu chá das cinco, com suas pernas cruzadas, como se estivesse tudo bem com o país.
Bem, espero que todos tenham curtido o Carnaval como acham que mereciam aproveita-lo. Os que não conseguiram, sinto muito.Aqueles que dizem não gostar do carnaval, não entendo: vocês pulam em outros lugares, com outras fantasias, até com "outras máscaras" e me dizem que não curtem uma roçada de salão?
Aqueles que não conseguiram e enfrentaram o inferno de uma chuva sempre "inesperada" como a de hoje, aguarde na fila para latir feito um cachorro molhado e abandonado pelos seus donos por se deliciar nas próprias fezes. Eu começo...
Somos todos palhaços. E acabamos ofendendo, logo de começo, uma honorária profissão. Porque não temos carteira assinada para tal, dentro da vertente que a indique, e estamos concorrendo uns com os outros pra ver quem derruba o outro do picadeiro. Chegamos no fundo da lama. E que lama!
Não sei se em outros pontos estavam assim hoje, querida São Paulo, mas o que eu vi era lamentável. Minhas pernas alcançavam até que alguns trechos de "pequenos rios" de uma rua para a calçada, mas mudei 3 vezes meu trajeto por conta de "rios mágicos que surgem da nossa incompetência BEM num dia de chuva", inundando as ruas. Poucos, e digo mesmo MUITO POUCOS sensibilizaram a filmar ou tirar fotos de devotos do Trabalho & Estudos a atravessar mares de lama ou escuros de esgoto para chegarem em seus destinos. Só espero que os que tiraram fotos não era para o tema Instagram "Olha eu na chuva" e os bravos andarilhos não fossem devotos da novelinha das oito.
Câmeras de boa qualidade fotografavam e filmavam as vozes de quem participa de um país aleijado que vive tentando segurar uma cultura "rica". Ostentar uma coisa que foi modificada várias vezes por diversas mãos de inúmeras nações que meteram o bedelho aqui durante gerações também exige mãos tão fortes quanto essas das "mudanças convenientes"!
Foliões de plantão, antes que me critiquem por eu parecer criticar o carnaval, alto lá! Ao longo desses anos, vim admirando cada vez mais essa nossa cultura, a ponto de ler livros que vocês JAMAIS ouviram falar ( e de origem brasileira) sobre nossas origens. O que estou criticando é que somos palhaços hipócritas. E com "p" minusculo mesmo.
Tanto sou também que tentei pular Carnaval e por "azar" não consegui pular num clube com muita festa, gente suada, sacanagem rolando solta e clima alegre, feliz, contagiante e descontraído.
Me perguntei hoje por que me sentia um idiota dentro de um trem e um metrô com gente suada, fantasiadas de Estudantes, Trabalhadores & Empresários, com a indelicadeza rolando solta, de pessoas eufóricas para chegar sabe se lá onde e encoxadas de todos e por todos os sexos.
É Carnaval, né, PUTA QUE PARIU?!
Mas há quem queria esperar sentado, nas estações. Entretanto, se no chão da mesma já era proibido, sentar no molhado devido e INÚMERAS goteiras se tornou um masoquismo sem tamanho: ou por querer sentar no molhado, ou ficar em pé, aguardando aquelas merdas atrasarem. "Se está no inferno, é para abraçar o capeta" então prepare-se para ser encoxado pelo cramunhão até a porta da estação que desce!
"Impossível aguentar tamanha palhaçada", ainda pensei. E Olhei as doses de drogas que carregava comigo. Eu tinha pensado em trocar as músicas do mp3 na noite anterior, mas não o fiz. Eu teria de usar as drogas que sei de trás para frente como me deixam minutos no mundo da lua, para tentar suportar o Inferno que estava cada parada em SP. E usei-as, na frente de todo mundo, fazendo o movimento do fone de ouvido na direção dos meus tímpanos, que não aceitou as doses como algo prazeroso e inovador. A fuga não rolou hoje, como de costume...
"Por isso prefiro cidades pequenas, afastadas da loucura e poluição das grandes Metrópoles!" Conheço frases assim de palhaços pomposos e essa também não cola. Querer sossego momentâneo é até alcançável, mas com nosso tino de escolher BEM nossos governantes, viver ao "Deus do Ará" é no mínimo, UTÓPICO. "Fé cega" como costumo chamar os bem aventurados e iludidos facilmente pelo PT e suas cestinhas básicas. Os que querem morar longe vão viver do que!? Caça? Pesca? Turismo?
O problema está em todo o local, caralho!!!!!
Esses palhaços só fingirão que estão bem e de fingimento, eu já estou de saco cheio. Vamos parar com isso, sim? Dinheiro e capital roda no meu rabo, como de qualquer caiçara ou gringo aqui no Brasil. Só que uns são mais, outros são menos. Mais: políticos. Menos: todo o resto...
Sorriram para um neném lindo que entrara no metro, no colo da mãe; olhos grandes, parecia menina. "Por que sorriram?", me perguntei.
Pra aliviar a suposta dor que a criança estava sentindo?
Ou a suposta humilhação?
Acho que foi um sorriso de " Não se preocupe, isso é normal e em breve você será uma idiota, feito nós, aqui dentro também, rs!" ^_^
No meio da suruba engravatada, uma moça me lendo um livro de oração. Espero (Deus me livre!) que ela esteja com problemas MUITO sérios na família porque só ler aquele livreto de Mistérios de Maria, Mariana E Maria Joaquina não fará o metrô melhor e tampouco livrará elas da garra do diabo! Pior que não era só uma não: avistei umas duas ou três. Segurava firme o terço rezando com a certeza para quem, mas não com a mesma determinação quando digita os números na urna eletrônica.
"Jesus, está na hora de se eleger! Já que saiu o Papa, entra você!"
É. To com a sensação do "brasileiro burro, trouxa, palhaço, filho de uma puta, infantil e mimado" até agora: "Que inferno de dia! Bem, pelo menos o Carnaval valeu a pena. Que venha logo o próximo feriado! Enquanto isso, me contento com a sexta que já chega amanhã! Vou ser negligente com meus filhos, vou fazer picuinha nas redes sociais, vou jogar todo o "querer" em pessoas me ausentando de qualquer coisa que eu queria e em breve COPA, para a noooooooooooooossa alegria!"
Lona de Circo no cú de todo mundo. E Até a próxima, minha gente!
Vou falar muito palavrão porque dentre tantos motivos (culpa minha!), não quero que sejam divulgados em jornais, onde metidos a ingleses de roupão vermelho, monóculo e cartola leem tomando seu chá das cinco, com suas pernas cruzadas, como se estivesse tudo bem com o país.
Bem, espero que todos tenham curtido o Carnaval como acham que mereciam aproveita-lo. Os que não conseguiram, sinto muito.Aqueles que dizem não gostar do carnaval, não entendo: vocês pulam em outros lugares, com outras fantasias, até com "outras máscaras" e me dizem que não curtem uma roçada de salão?
Aqueles que não conseguiram e enfrentaram o inferno de uma chuva sempre "inesperada" como a de hoje, aguarde na fila para latir feito um cachorro molhado e abandonado pelos seus donos por se deliciar nas próprias fezes. Eu começo...
Somos todos palhaços. E acabamos ofendendo, logo de começo, uma honorária profissão. Porque não temos carteira assinada para tal, dentro da vertente que a indique, e estamos concorrendo uns com os outros pra ver quem derruba o outro do picadeiro. Chegamos no fundo da lama. E que lama!
Não sei se em outros pontos estavam assim hoje, querida São Paulo, mas o que eu vi era lamentável. Minhas pernas alcançavam até que alguns trechos de "pequenos rios" de uma rua para a calçada, mas mudei 3 vezes meu trajeto por conta de "rios mágicos que surgem da nossa incompetência BEM num dia de chuva", inundando as ruas. Poucos, e digo mesmo MUITO POUCOS sensibilizaram a filmar ou tirar fotos de devotos do Trabalho & Estudos a atravessar mares de lama ou escuros de esgoto para chegarem em seus destinos. Só espero que os que tiraram fotos não era para o tema Instagram "Olha eu na chuva" e os bravos andarilhos não fossem devotos da novelinha das oito.
Câmeras de boa qualidade fotografavam e filmavam as vozes de quem participa de um país aleijado que vive tentando segurar uma cultura "rica". Ostentar uma coisa que foi modificada várias vezes por diversas mãos de inúmeras nações que meteram o bedelho aqui durante gerações também exige mãos tão fortes quanto essas das "mudanças convenientes"!
Foliões de plantão, antes que me critiquem por eu parecer criticar o carnaval, alto lá! Ao longo desses anos, vim admirando cada vez mais essa nossa cultura, a ponto de ler livros que vocês JAMAIS ouviram falar ( e de origem brasileira) sobre nossas origens. O que estou criticando é que somos palhaços hipócritas. E com "p" minusculo mesmo.
Tanto sou também que tentei pular Carnaval e por "azar" não consegui pular num clube com muita festa, gente suada, sacanagem rolando solta e clima alegre, feliz, contagiante e descontraído.
Me perguntei hoje por que me sentia um idiota dentro de um trem e um metrô com gente suada, fantasiadas de Estudantes, Trabalhadores & Empresários, com a indelicadeza rolando solta, de pessoas eufóricas para chegar sabe se lá onde e encoxadas de todos e por todos os sexos.
É Carnaval, né, PUTA QUE PARIU?!
Mas há quem queria esperar sentado, nas estações. Entretanto, se no chão da mesma já era proibido, sentar no molhado devido e INÚMERAS goteiras se tornou um masoquismo sem tamanho: ou por querer sentar no molhado, ou ficar em pé, aguardando aquelas merdas atrasarem. "Se está no inferno, é para abraçar o capeta" então prepare-se para ser encoxado pelo cramunhão até a porta da estação que desce!
"Impossível aguentar tamanha palhaçada", ainda pensei. E Olhei as doses de drogas que carregava comigo. Eu tinha pensado em trocar as músicas do mp3 na noite anterior, mas não o fiz. Eu teria de usar as drogas que sei de trás para frente como me deixam minutos no mundo da lua, para tentar suportar o Inferno que estava cada parada em SP. E usei-as, na frente de todo mundo, fazendo o movimento do fone de ouvido na direção dos meus tímpanos, que não aceitou as doses como algo prazeroso e inovador. A fuga não rolou hoje, como de costume...
"Por isso prefiro cidades pequenas, afastadas da loucura e poluição das grandes Metrópoles!" Conheço frases assim de palhaços pomposos e essa também não cola. Querer sossego momentâneo é até alcançável, mas com nosso tino de escolher BEM nossos governantes, viver ao "Deus do Ará" é no mínimo, UTÓPICO. "Fé cega" como costumo chamar os bem aventurados e iludidos facilmente pelo PT e suas cestinhas básicas. Os que querem morar longe vão viver do que!? Caça? Pesca? Turismo?
O problema está em todo o local, caralho!!!!!
Esses palhaços só fingirão que estão bem e de fingimento, eu já estou de saco cheio. Vamos parar com isso, sim? Dinheiro e capital roda no meu rabo, como de qualquer caiçara ou gringo aqui no Brasil. Só que uns são mais, outros são menos. Mais: políticos. Menos: todo o resto...
Sorriram para um neném lindo que entrara no metro, no colo da mãe; olhos grandes, parecia menina. "Por que sorriram?", me perguntei.
Pra aliviar a suposta dor que a criança estava sentindo?
Ou a suposta humilhação?
Acho que foi um sorriso de " Não se preocupe, isso é normal e em breve você será uma idiota, feito nós, aqui dentro também, rs!" ^_^
No meio da suruba engravatada, uma moça me lendo um livro de oração. Espero (Deus me livre!) que ela esteja com problemas MUITO sérios na família porque só ler aquele livreto de Mistérios de Maria, Mariana E Maria Joaquina não fará o metrô melhor e tampouco livrará elas da garra do diabo! Pior que não era só uma não: avistei umas duas ou três. Segurava firme o terço rezando com a certeza para quem, mas não com a mesma determinação quando digita os números na urna eletrônica.
"Jesus, está na hora de se eleger! Já que saiu o Papa, entra você!"
É. To com a sensação do "brasileiro burro, trouxa, palhaço, filho de uma puta, infantil e mimado" até agora: "Que inferno de dia! Bem, pelo menos o Carnaval valeu a pena. Que venha logo o próximo feriado! Enquanto isso, me contento com a sexta que já chega amanhã! Vou ser negligente com meus filhos, vou fazer picuinha nas redes sociais, vou jogar todo o "querer" em pessoas me ausentando de qualquer coisa que eu queria e em breve COPA, para a noooooooooooooossa alegria!"
Lona de Circo no cú de todo mundo. E Até a próxima, minha gente!
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
As Plataformas
O Eco é o seu interior. Vazia, costumam ser frias, até mesmo em dias de verão. Talvez a comparação venha diante da sua realidade, onde passa a maior parte do tempo cheia, preenchida, movimentada. Como um corpo que é detentor de bactérias, ou o espaço preenchido com as partículas do vazio, as estruturas da qual os homens construíram não são tão chatas assim.
Vejam.
E cuidado para não se perderem nos detalhes.
Ali dentro, há diversos relógios. Formas de respirar. E muitos pensamentos jogados ao léu. Seria possível, no momento em que tropeçamos, culpa de um pensamento ali, abandonado de forma invisível?
Ou talvez um sentimento, que um transeunte deixou cair do seu corpo, já que leva tantas coisas pesadas como roupas, cansaço, desânimo ou pressa?
O lado em que caminhamos e a direção que nos leva se estende pelos nossos olhos de forma colorida, apenas quando nosso coração deseja e enxerga cores. Percebemos bem isso quando olhamos do outro lado e, sem qualquer divisão rígida que tampe nossa observação, vemos pessoas se dirigindo ao caminho oposto. mesmo que cada um tenha seu próprio tempo, o outro lado é o "negativo" da sua realidade: é preto e branco, é inverso, é diferente. Pouco se ouve o som que sai da boca nas primeiras horas da manhã: a concentração, seja lá do que vai ser enfrentado, é quase religioso. O mau humor muitas vezes vem embutido no pacote.
São dali e de cá, vistos de formas diferentes, dependendo do dia, clima, acontecimentos. As vezes esnobes demais, as vezes cegos. Não posso dizer dos outros, entretanto posso relatar de quem tenho certeza que viu uma coisa ou duas.
A massa é realmente assustadora! Tanto de quem vai na mesma direção, quanto quem vai contra, é realmente impressionante e ao mesmo tempo infantilmente empolgante: "Para onde vão? O que vão fazer? Eles tem a certeza do que querem? São Felizes?
Aquele pretende roubar. Ela se dedica nos estudos. Ele já bebe pela manhã para aguentar a responsabilidade de forma dormente. Ele ou ela vai de encontro de quem não lhe pertence, querendo esquecer o que já foi escolhido e que percebeu que, nesta vida, ninguém é de ninguém. Alguns vão ao médico, esperançosos em encontrar alguma cura. Outros buscam a cura adentrando no coração de outros. Ela vai criar um laço. Ele, resgatar um ou mais. Ela, para uma entrevista de emprego. Ele, é o que vai entrevistar. Aquele foge de um homicídio que acabara de fazer. Outro, está em indo em direção a realização de um.
Diversos passos. Do Mal e do Bem. E do meio termo também.
E a composição do cenário?
Carrega em si segredos do que foi pensado antes de projeta-lo em papiros modernos e carrega toda uma crença da atual sociedade. As formas que mais seduzem, no caminho que leva bons e maus atos!
Ah, quantas vezes dá para se sentir soberano, dentro daquele labirinto espacial?! Basta saber o futuro, e calcular precisamente o horário em que o acaso apronta das suas para que aquela massa contra-fluxo não te receba com olhos sonolentos, hipnotizados e furiosos, por possuírem um fardo que nada tem a ver contigo?
Certamente, sentirás um rei avançando , na frente de sua horda de passos confiáveis, que aquele espaço acabou de conquistar. Sua presença fez a contrária ser oprimida, covarde dentro de um atraso, um tempo próprio ou impotente perante seu ritmo adiantado!
Caso seja o contrário, ir contra a movimentação mostra que possui um caminho só seu, onde isso poderia ser exponencialmente ampliado dentro de uma filosofia que cada um de nós podíamos carregar todo santo dia. Faria de nós melhor, mais confiante, certos do que é incerto. Mantendo a incerteza, certa.
Mas sem dúvida, o melhor momento é aquele onde saímos do nível comum e subimos, lentamente, com ar da mais alta tecnologia, as escadas rolantes que ajudam no percurso. Dica: use-as somente se planeja observar algo. Se for pelas escadas normais gastará energia desnecessária.
Aproveite esse momento de sedentarismo e sinta elevar-se , tentando alcançar aqueles deuses de concreto, que fazer o horizonte baixo do cenário sujo de papel de jornal se tornar mais alcançável. Não se perca nas subdivisões: existem várias. Notará que eles nem são tão inalcançáveis assim...
A subida lenta é linda, é envolvente, é reconfortante. Pode-se ver de cima detalhes que jamais enxergaria no nível anterior: baixo, nivelado, tumultuoso. Se tiveres sorte feito eu, remeterá a infância, "pixelizada".
No fim receberá a visão que mistura todos os níveis. As subdivisões ficam claras e suas cores, ainda mais fortes. Tonalidades que mexem com o coração: são os Sentimentos Panorâmicos!
Aquela sacada é linda. De lá já vi os deuses nos observarem , escondidos na escuridão, com seus olhos de fogo à mostra. E já observei duas vezes a linha que permanece entre os Dois Mundos. É a divisão mais sobrenatural que pude presenciar. Fora o espirito guardião das estações do ano. Cada qual mostrando sua forma no vento que sopra, indicando quem está no comando. Do vermelho ao cinza -azulado...
As plataformas. A existência ganha outro nome quando estamos nela. Sob ela. Sobre ela. Sobe ela...
Vejam.
E cuidado para não se perderem nos detalhes.
Ali dentro, há diversos relógios. Formas de respirar. E muitos pensamentos jogados ao léu. Seria possível, no momento em que tropeçamos, culpa de um pensamento ali, abandonado de forma invisível?
Ou talvez um sentimento, que um transeunte deixou cair do seu corpo, já que leva tantas coisas pesadas como roupas, cansaço, desânimo ou pressa?
O lado em que caminhamos e a direção que nos leva se estende pelos nossos olhos de forma colorida, apenas quando nosso coração deseja e enxerga cores. Percebemos bem isso quando olhamos do outro lado e, sem qualquer divisão rígida que tampe nossa observação, vemos pessoas se dirigindo ao caminho oposto. mesmo que cada um tenha seu próprio tempo, o outro lado é o "negativo" da sua realidade: é preto e branco, é inverso, é diferente. Pouco se ouve o som que sai da boca nas primeiras horas da manhã: a concentração, seja lá do que vai ser enfrentado, é quase religioso. O mau humor muitas vezes vem embutido no pacote.
São dali e de cá, vistos de formas diferentes, dependendo do dia, clima, acontecimentos. As vezes esnobes demais, as vezes cegos. Não posso dizer dos outros, entretanto posso relatar de quem tenho certeza que viu uma coisa ou duas.
A massa é realmente assustadora! Tanto de quem vai na mesma direção, quanto quem vai contra, é realmente impressionante e ao mesmo tempo infantilmente empolgante: "Para onde vão? O que vão fazer? Eles tem a certeza do que querem? São Felizes?
Aquele pretende roubar. Ela se dedica nos estudos. Ele já bebe pela manhã para aguentar a responsabilidade de forma dormente. Ele ou ela vai de encontro de quem não lhe pertence, querendo esquecer o que já foi escolhido e que percebeu que, nesta vida, ninguém é de ninguém. Alguns vão ao médico, esperançosos em encontrar alguma cura. Outros buscam a cura adentrando no coração de outros. Ela vai criar um laço. Ele, resgatar um ou mais. Ela, para uma entrevista de emprego. Ele, é o que vai entrevistar. Aquele foge de um homicídio que acabara de fazer. Outro, está em indo em direção a realização de um.
Diversos passos. Do Mal e do Bem. E do meio termo também.
E a composição do cenário?
Carrega em si segredos do que foi pensado antes de projeta-lo em papiros modernos e carrega toda uma crença da atual sociedade. As formas que mais seduzem, no caminho que leva bons e maus atos!
Ah, quantas vezes dá para se sentir soberano, dentro daquele labirinto espacial?! Basta saber o futuro, e calcular precisamente o horário em que o acaso apronta das suas para que aquela massa contra-fluxo não te receba com olhos sonolentos, hipnotizados e furiosos, por possuírem um fardo que nada tem a ver contigo?
Certamente, sentirás um rei avançando , na frente de sua horda de passos confiáveis, que aquele espaço acabou de conquistar. Sua presença fez a contrária ser oprimida, covarde dentro de um atraso, um tempo próprio ou impotente perante seu ritmo adiantado!
Caso seja o contrário, ir contra a movimentação mostra que possui um caminho só seu, onde isso poderia ser exponencialmente ampliado dentro de uma filosofia que cada um de nós podíamos carregar todo santo dia. Faria de nós melhor, mais confiante, certos do que é incerto. Mantendo a incerteza, certa.
Mas sem dúvida, o melhor momento é aquele onde saímos do nível comum e subimos, lentamente, com ar da mais alta tecnologia, as escadas rolantes que ajudam no percurso. Dica: use-as somente se planeja observar algo. Se for pelas escadas normais gastará energia desnecessária.
Aproveite esse momento de sedentarismo e sinta elevar-se , tentando alcançar aqueles deuses de concreto, que fazer o horizonte baixo do cenário sujo de papel de jornal se tornar mais alcançável. Não se perca nas subdivisões: existem várias. Notará que eles nem são tão inalcançáveis assim...
A subida lenta é linda, é envolvente, é reconfortante. Pode-se ver de cima detalhes que jamais enxergaria no nível anterior: baixo, nivelado, tumultuoso. Se tiveres sorte feito eu, remeterá a infância, "pixelizada".
No fim receberá a visão que mistura todos os níveis. As subdivisões ficam claras e suas cores, ainda mais fortes. Tonalidades que mexem com o coração: são os Sentimentos Panorâmicos!
Aquela sacada é linda. De lá já vi os deuses nos observarem , escondidos na escuridão, com seus olhos de fogo à mostra. E já observei duas vezes a linha que permanece entre os Dois Mundos. É a divisão mais sobrenatural que pude presenciar. Fora o espirito guardião das estações do ano. Cada qual mostrando sua forma no vento que sopra, indicando quem está no comando. Do vermelho ao cinza -azulado...
As plataformas. A existência ganha outro nome quando estamos nela. Sob ela. Sobre ela. Sobe ela...
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
MATE (a) MÁ (é) TICA
Onde eu estava com a cabeça, quando cometi os erros primários?
Não é possível. Não fiquei atento aos mais pequenos detalhes. E agora? O que fazer?
Deixei de fazer contas. Deixei que alguns números passarem despercebidos. Se não percebi a presença deles, agora é certo que noto sua ausência.
Mas....espera um momento....eu....me sinto cair.....cair num buraco....
...Não consigo distinguir se é um buraco devido ao julgamento de terceiros...ou se é um buraco, pelo meu julgamento....
Estou caindo.... E enquanto caio, me vem frases...
Não sei de onde elas saem, mas provavelmente, pelo eco que fazem, vem da minha cabeça,
...em queda livre...
O QUE EU SOU!? ONDE ESTOU? QUE RAÇA PERTENÇO!! EU...EU...EU NÃO LEMBRO DE NADA....ESSAS VOZES? DE QUEM SÃO? DE ONDE VEM!?
(Silêncio momentâneo)
Oh....Agora me lembro que sou. De onde vim. Que raça pertenço.
Eu sou um ser humano. Imperfeito. Minha raça criou, com seu maior defeito, sua maior dependência.
Sem sabermos administrar, sem nos preocuparmos em fazer de nossas criação chamada números nosso amigos, ansiamos a qualquer custo domina-lo, termos em abundancia e podemos gasta-lo só com nós mesmos. Nem que para isso matemos outras pessoas queimadas, com fome, com desprezo, com inútil comparação, por medo, por vaidade, por maldade ou em Nome de Deus.
Somos capazes de nos enganar, pensando que se pensa em si, e acabamos por esquecer nós mesmos, da mesma forma que esquecemos de nos culpar. E culpamos algo que nem exist; que é abstrato. Nem passa de nomenclatura.
O ser humano é assim. Afirma que o DINHEIRO MATA PESSOAS... e elas acabam matando elas mesmas e o dinheiro.
Cuidado, Amor. Você será a próxima vítima...
...Culpada...
Não é possível. Não fiquei atento aos mais pequenos detalhes. E agora? O que fazer?
Deixei de fazer contas. Deixei que alguns números passarem despercebidos. Se não percebi a presença deles, agora é certo que noto sua ausência.
Mas....espera um momento....eu....me sinto cair.....cair num buraco....
...Não consigo distinguir se é um buraco devido ao julgamento de terceiros...ou se é um buraco, pelo meu julgamento....
Estou caindo.... E enquanto caio, me vem frases...
Não sei de onde elas saem, mas provavelmente, pelo eco que fazem, vem da minha cabeça,
...em queda livre...
(Voz de um menino de seis anos) : Você sabe se a mensalidade da escola vai aumentar? Porque se for assim ,eu vou ser obrigado a sair, porque meus pais não tem condições.
(Voz de uma mulher) : Eles tomam o que lhe pertencem porque assim eles ganham dinheiro. Fazem o serviço deles, a favor da justiça, te tirando o que você tem de mais precioso. E ganham bem fazendo isso. O governo apoia-os dessa forma: eles faturam tirando de outros.
(Voz de um homem) : Eu não tenho grana para te dar. Coloco comida dentro de casa para você comer e se não estiver contente arruma um emprego, seu vagabundo!
(Voz de um jovem) : O problema do mercado negro não é os meliantes que roubam. São os outros, que comprar ou financiam essa prática...
(Voz de uma menina) : O meu pai me dá tudo que eu quero. Tudo mesmo.
(Voz de um menino qualquer num semáforo qualquer) : Mê dá uns trocados para minha família e eu comer,tio?
(Uma leitura ocasional) : Os seguranças, a princípio, não deixaram ninguém sair. Obrigavam todos, em meio ao caos e ao incêndio, que pagassem a conta...
(Voz de pessoas) : A proposta deles era melhor...
(Vozes de homens e mulheres) : Tenho minhas contas para pagar...
(Vozes, apenas...) : Estamos dependendo do atendimento público enquanto nosso filha morre um pouco a cada segundo. Se fosse particular, já tínhamos sido atendidos...
(Murmúrios) : Morreu, vítima de um assalto. Levou três tiros, quando reagiu e não quis entregar o dinheiro...
O QUE EU SOU!? ONDE ESTOU? QUE RAÇA PERTENÇO!! EU...EU...EU NÃO LEMBRO DE NADA....ESSAS VOZES? DE QUEM SÃO? DE ONDE VEM!?
(Silêncio momentâneo)
Oh....Agora me lembro que sou. De onde vim. Que raça pertenço.
Eu sou um ser humano. Imperfeito. Minha raça criou, com seu maior defeito, sua maior dependência.
Sem sabermos administrar, sem nos preocuparmos em fazer de nossas criação chamada números nosso amigos, ansiamos a qualquer custo domina-lo, termos em abundancia e podemos gasta-lo só com nós mesmos. Nem que para isso matemos outras pessoas queimadas, com fome, com desprezo, com inútil comparação, por medo, por vaidade, por maldade ou em Nome de Deus.
Somos capazes de nos enganar, pensando que se pensa em si, e acabamos por esquecer nós mesmos, da mesma forma que esquecemos de nos culpar. E culpamos algo que nem exist; que é abstrato. Nem passa de nomenclatura.
O ser humano é assim. Afirma que o DINHEIRO MATA PESSOAS... e elas acabam matando elas mesmas e o dinheiro.
Cuidado, Amor. Você será a próxima vítima...
...Culpada...
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Sob pressão, A Criação
Estava aqui, mexendo em algumas coisas durante esses dias e acabei encontrando uma antiga redação. Na ocasião eu estava fazendo um cursinho (muito ruim) afim de me preparar e entrar numa faculdade. Não posso reclamar muito do curso pois, assim como ele mesmo, minha vontade na época de cursar uma era bem pequena, leviana e não iria longe com aquilo.
Em uma das aulas desse curso, havia a disciplina de Português e naquele dia a professora pediu uma redação.
Eu olhei para o lado e logo vi pessoas torcendo o nariz, se apavorando e cerrando os dentes. Apenas eu abri um sorriso de orelha a orelha, me garantindo no que eu mais gostava de fazer durante minha vida na escola, fora as aulas de Artes!
Sorri, levemente e sutilmente sarcástico, girando a caneta na mão só esperando a professora dar um tema. não havia nada, naquela época, que eu não conseguisse escrever: estava antenado com muita coisa. E não esperava um nível absurdo dentro daquele cursinho. Inclinei o peito para frente. Me estiquei e me preparei para o que a professora iria pedir.
Eis que, para a minha surpresa, ela diz para a sala:
"O tema da redação de hoje é 'Minha vida no futuro'. Vocês imaginarão como será a vida de vocês no futuro, em uma idade bem avançada e refletirá tudo que passou. Então, contará na redação o que vocês lembraram e o que achou do caminho que percorreu até aquele dia. 'valeu a pena, o sacrifício? Estão felizes?' Essas coisas..."
O meu sorriso desapareceu na mesma hora, porém foi engraçado, porque ele se fora lento.Gradativamente. Ou melhor dizendo: DECRESCIDAMENTE!
Quem estava do meu lado ou mesmo na minha frente, fez questão de se virar, pra ver se ainda encontrava em mim toda aquela confiança.
Não.
Não encontrava.
Nunca, na minha minha história escolar, tinha travado num tema de redação.
Era a minha primeira vez. Dolorida. E o orgulho gritava.
fiquei mais de meia hora, só olhando pra porcaria do tema. E por que diabos eu não conseguia desenvolver esse tema?
Simples: sou daqueles que acreditava que morreria jovem ou, não sendo muito dramático, antes da 3ª idade.
Acho que de lá para cá não mudei muito esse meu ponto de vista. Mas não é o que eu quero discutir agora...
Houve, de repente, um impulso por conta de uma ideia que surgira na cabeça. Encarava-a como a única maneira de conseguir, ainda sem total certeza, a fazer a bendita redação.
Levantei e me dirigi à professora, no mesmo instante em que via, ao meu redor, pessoas que de-tes-ta-vam redação,e a desenvolviam com total atenção e empenho.
Por fim, argumentei a verdade para a educadora: eu não conseguia pensar nisso. Não adiantava. Não via um futuro distante. Não tinha tantos sonhos. Sempre considerei a vida um mistério e difícil de prever. Não
tinha esperanças de chegar velhinho, lá na frente. E perguntei se eu podia me colocar na pele de outra pessoa.
Ela achou o pedido estranho e, a princípio, não havia entendido. Eu expliquei de novo, sem graça mas falando muito sério, que, para eu fazer a redação, eu teria de me colocar no "papel" de outra pessoa.
Ela deu de ombros e disse que tudo bem.
Voltei e sentei. Todos estavam se divertindo, em termos, com a redação.
E daí fui jogado num cenário totalmente diferente. Aos poucos meu corpo entrava dentro de um outro. Mais debilitado. Com angustias. E uma saudade que em breve seria eliminada. Eis a Redação.
( Originalmente escrita em 17 de março de 2006)
O ponto final de uma vida
A televisão, ligada num volume razoável devido a minha audição já não ser como a de antigamente, não me entretém mais. Sinto que a cada dia que passa, venho me desprendendo das coisas materiais. Pensando bem, já me desprendi faz tempo.
Essa poltrona verde é a minha favorita. Acho que é apenas dela que eu sentirei falta quando partir hoje a noite. Esse quartinho de empregada no qual me encontro neste exato momento, nas províncias de um bairro pobre, me acolheu por demais. Não posso reclamar. Depois que te perdi, comecei a ver as coisas de outro jeito. Estou até hoje com esse pensamento.
Enquanto eu escrevo nesse bloquinho de anotações, observando a mesinha embaixo da escada. em cima da mesa está o seu vaso preferido: carreguei-o comigo até os dias de hoje. É incrível como não consigo me livrar de pequenas coisas, mas posso dizer que estou feliz, pois você me fez abrir os olhos...
Por outro lado, meu físico piorou. Você verá que eu estou muito gordo. Minha diabete agravou devido a depressão que ainda carrego pela ausência da pessoa que eu amo. Esses meus suspensórios já estão quase arrebentando, e o dinheiro da aposentadoria só cai na conta daqui uma semana. vou deixar minha humilde quantia para o banco.
Eu sou um guerreiro, apesar de tantos problemas: meus filhos do primeiro casamento nem lembram que eu existo; a descriminação por eu ser idoso e por não ter um braço.
Não estou reclamando, afinal, sacrifiquei-o para te salvar do acidente. Foi uma pena que não consegui.
Agora olho para trás e vejo que tudo está no devido lugar. tenho certeza que fiz tudo e cumpri com a minha presença neste mundo. se eu tivesse que passar por isso de novo, eu o faria sem mudar nada.
Preciso fazer minha última refeição. A vizinha do cinquenta e quatro me trouxe comida enlatada da cesta básica extra que ela ganha. A luz da sala é muito fraca: meus olhos começam a doer, mesmo de óculos.
Queimarei essa folha de desabafo logo em seguida.
E vou lhe esperar na cama, porque sinto que esta noite você virá me buscar. Já começo a sentir o seu perfume.
Muito obrigado pela minha vida, e muito obrigado por me fazer sentir vivo até o dia em que a morte nos separou.
Porque esta noite ela nos unirá novamente.
Quanta depressão!!!!!!
Muito dramática, confesso, para uma redação com um tema bem simples.
Mas, levando em consideração muitas coisas, eu afirmo que consigo sim, do meu jeito, me colocar no lugar de outras pessoas.
Em uma das aulas desse curso, havia a disciplina de Português e naquele dia a professora pediu uma redação.
Eu olhei para o lado e logo vi pessoas torcendo o nariz, se apavorando e cerrando os dentes. Apenas eu abri um sorriso de orelha a orelha, me garantindo no que eu mais gostava de fazer durante minha vida na escola, fora as aulas de Artes!
Sorri, levemente e sutilmente sarcástico, girando a caneta na mão só esperando a professora dar um tema. não havia nada, naquela época, que eu não conseguisse escrever: estava antenado com muita coisa. E não esperava um nível absurdo dentro daquele cursinho. Inclinei o peito para frente. Me estiquei e me preparei para o que a professora iria pedir.
Eis que, para a minha surpresa, ela diz para a sala:
"O tema da redação de hoje é 'Minha vida no futuro'. Vocês imaginarão como será a vida de vocês no futuro, em uma idade bem avançada e refletirá tudo que passou. Então, contará na redação o que vocês lembraram e o que achou do caminho que percorreu até aquele dia. 'valeu a pena, o sacrifício? Estão felizes?' Essas coisas..."
O meu sorriso desapareceu na mesma hora, porém foi engraçado, porque ele se fora lento.Gradativamente. Ou melhor dizendo: DECRESCIDAMENTE!
Quem estava do meu lado ou mesmo na minha frente, fez questão de se virar, pra ver se ainda encontrava em mim toda aquela confiança.
Não.
Não encontrava.
Nunca, na minha minha história escolar, tinha travado num tema de redação.
Era a minha primeira vez. Dolorida. E o orgulho gritava.
fiquei mais de meia hora, só olhando pra porcaria do tema. E por que diabos eu não conseguia desenvolver esse tema?
Simples: sou daqueles que acreditava que morreria jovem ou, não sendo muito dramático, antes da 3ª idade.
Acho que de lá para cá não mudei muito esse meu ponto de vista. Mas não é o que eu quero discutir agora...
Houve, de repente, um impulso por conta de uma ideia que surgira na cabeça. Encarava-a como a única maneira de conseguir, ainda sem total certeza, a fazer a bendita redação.
Levantei e me dirigi à professora, no mesmo instante em que via, ao meu redor, pessoas que de-tes-ta-vam redação,e a desenvolviam com total atenção e empenho.
Por fim, argumentei a verdade para a educadora: eu não conseguia pensar nisso. Não adiantava. Não via um futuro distante. Não tinha tantos sonhos. Sempre considerei a vida um mistério e difícil de prever. Não
tinha esperanças de chegar velhinho, lá na frente. E perguntei se eu podia me colocar na pele de outra pessoa.
Ela achou o pedido estranho e, a princípio, não havia entendido. Eu expliquei de novo, sem graça mas falando muito sério, que, para eu fazer a redação, eu teria de me colocar no "papel" de outra pessoa.
Ela deu de ombros e disse que tudo bem.
Voltei e sentei. Todos estavam se divertindo, em termos, com a redação.
E daí fui jogado num cenário totalmente diferente. Aos poucos meu corpo entrava dentro de um outro. Mais debilitado. Com angustias. E uma saudade que em breve seria eliminada. Eis a Redação.
( Originalmente escrita em 17 de março de 2006)
O ponto final de uma vida
A televisão, ligada num volume razoável devido a minha audição já não ser como a de antigamente, não me entretém mais. Sinto que a cada dia que passa, venho me desprendendo das coisas materiais. Pensando bem, já me desprendi faz tempo.
Essa poltrona verde é a minha favorita. Acho que é apenas dela que eu sentirei falta quando partir hoje a noite. Esse quartinho de empregada no qual me encontro neste exato momento, nas províncias de um bairro pobre, me acolheu por demais. Não posso reclamar. Depois que te perdi, comecei a ver as coisas de outro jeito. Estou até hoje com esse pensamento.
Enquanto eu escrevo nesse bloquinho de anotações, observando a mesinha embaixo da escada. em cima da mesa está o seu vaso preferido: carreguei-o comigo até os dias de hoje. É incrível como não consigo me livrar de pequenas coisas, mas posso dizer que estou feliz, pois você me fez abrir os olhos...
Por outro lado, meu físico piorou. Você verá que eu estou muito gordo. Minha diabete agravou devido a depressão que ainda carrego pela ausência da pessoa que eu amo. Esses meus suspensórios já estão quase arrebentando, e o dinheiro da aposentadoria só cai na conta daqui uma semana. vou deixar minha humilde quantia para o banco.
Eu sou um guerreiro, apesar de tantos problemas: meus filhos do primeiro casamento nem lembram que eu existo; a descriminação por eu ser idoso e por não ter um braço.
Não estou reclamando, afinal, sacrifiquei-o para te salvar do acidente. Foi uma pena que não consegui.
Agora olho para trás e vejo que tudo está no devido lugar. tenho certeza que fiz tudo e cumpri com a minha presença neste mundo. se eu tivesse que passar por isso de novo, eu o faria sem mudar nada.
Preciso fazer minha última refeição. A vizinha do cinquenta e quatro me trouxe comida enlatada da cesta básica extra que ela ganha. A luz da sala é muito fraca: meus olhos começam a doer, mesmo de óculos.
Queimarei essa folha de desabafo logo em seguida.
E vou lhe esperar na cama, porque sinto que esta noite você virá me buscar. Já começo a sentir o seu perfume.
Muito obrigado pela minha vida, e muito obrigado por me fazer sentir vivo até o dia em que a morte nos separou.
Porque esta noite ela nos unirá novamente.
Quanta depressão!!!!!!
Muito dramática, confesso, para uma redação com um tema bem simples.
Mas, levando em consideração muitas coisas, eu afirmo que consigo sim, do meu jeito, me colocar no lugar de outras pessoas.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
O Regressar
Dentre os dias que passaram, me ajeitava aqui e ali, naquele lugarzinho onde ninguém podia me incomodar, a não ser minhas próprias e pequenas preocupações.
Não me jogava tampouco me arrastava, mas era levemente incomodo se organizar, diante de tudo que aconteceu, que estava acontecendo e o que está para acontecer.
Numa curiosa e levada mistura de tudo isso, acordei com aquela sensação de criança dentro de mim. Regressei uns 20 anos no tempo e hoje acordei menino. Sabe aquela sensação de 1° dia de aula?
Então, foi essa mesmo que me acompanhou no trajeto de ida para o trabalho.
A rapidez do resultado de quem mal dormiu focado no que deveria ser feito hoje foi bem vinda dentro do friozinho que encontrava meu corpo, louco para uma vestimenta mais quente. E o uniforme caiu muito bem.
Tudo ainda estava desorganizado e os itens se encontravam espalhados pela casa inteira. Entretanto tudo entrou no seu devido tempo e o tempo, raras as vezes, hoje foi solidário com o menino.
A primeira leva de pessoas estava lá, chegando junto comigo;entreolhares de um rival de espaço.
Nas escadarias que levavam a espera da grande capsula de metal, a lembrança de que um trem perdido, é só mais perda de tempo. O Vagão que se perde é o próprio tempo perdido...
Inúmeros comprimentos em segredo através dos olhares do meu velhos novos amigos, que vivo esquecendo o rosto, mas esses nunca do meu.
Ao mesmo tempo que me encontro deslocando por terra e alguns trechos até debaixo dela, ainda consigo acompanhar voos num mundo poético e cheio de estrelas. Os relógios que sempre me guiaram hoje também acenaram com seu ponteiro que sempre nos recebe educadamente com seu maior braço e nos mostra que estamos sempre em movimento.
Em um certo momento, onde alguns cochilavam, outros há mais de 60 anos atrás, uma triste música, carregada de verdades, surgiu e uma estranha calma se apossou de mim, respirando aquele ar que ainda demoraria para ficar poluído com desgastes e desilusões. Repousou- se em mim de tal maneira que meus olhos fecharam. E foi gratificante...
A mala que eu carregava, devido a forma que a peguei e saí quando as portas me deixaram na estação, não era uma simples mochila, porém uma mala. Negra, de couro, polida e muito importante. Ninguém sabia que ali dentro continha segredos antigos do mundo e criptografados; reveladores mistérios de como ser criança ou permanecer uma: que lembra sempre o adulto que um dia já foi criança e para a criança que o tempo é eterno!
As televisões ligadas em respectivos estabelecimentos exibiam cotidianamente seus noticiários. Havia me esquecido como ela é ansiosa para mostrar acidentes, desastres e confusões bem antes das 7 horas da manhã...
Em outros lugares, sou como um convidado, esperado como tantos outros, não obstante ,atrasado. Chego sem jeito, depois de tempos sem ver os antigos rostos que haviam se acostumado com o meu. Nada sei de suas vidas, mas o pão e o café é a ceia da qual , servida na mesa capitalista, nos une para juntarmos forças e enfrentar o dia que virá.
No fim do começo, uma cena arrematadora: O sorriso que me foi aberto, fez meus braços e minha boca abrirem em sinal de sorriso, alegria, saudades que estava sendo matada. minha mente esperava abraços gostosos, mas deve ter ficado tanto tempo esperando que ela própria fabricou e mandou movimentos para o meu corpo doar abraços sinceros. Ah,criança, você não era assim...
O fim também foi de forma igual como era antes. Não importa o movimento da cidade. Até o Caos possui hora marcada e local para agir. Eis o inferno que o herói que sai de sua concha para dar sua cara a tapa precisa passar. Faz parte atravessar os campos de lava para chegar ao paraíso, disseram...
Nem mais, nem menos. O dia completou seu ciclo.
A mente cansada, ainda luta para reescrever as memórias...
Os olhos já se entregam, mesmo a luz que os ilumina para se manterem abertos...
Novos e velhos rostos foram vistos hoje, mais uma vez.
É uma pena que até para os mais próximos, demorará para se tornarem "comuns".
Não me jogava tampouco me arrastava, mas era levemente incomodo se organizar, diante de tudo que aconteceu, que estava acontecendo e o que está para acontecer.
Numa curiosa e levada mistura de tudo isso, acordei com aquela sensação de criança dentro de mim. Regressei uns 20 anos no tempo e hoje acordei menino. Sabe aquela sensação de 1° dia de aula?
Então, foi essa mesmo que me acompanhou no trajeto de ida para o trabalho.
A rapidez do resultado de quem mal dormiu focado no que deveria ser feito hoje foi bem vinda dentro do friozinho que encontrava meu corpo, louco para uma vestimenta mais quente. E o uniforme caiu muito bem.
Tudo ainda estava desorganizado e os itens se encontravam espalhados pela casa inteira. Entretanto tudo entrou no seu devido tempo e o tempo, raras as vezes, hoje foi solidário com o menino.
A primeira leva de pessoas estava lá, chegando junto comigo;entreolhares de um rival de espaço.
Nas escadarias que levavam a espera da grande capsula de metal, a lembrança de que um trem perdido, é só mais perda de tempo. O Vagão que se perde é o próprio tempo perdido...
Inúmeros comprimentos em segredo através dos olhares do meu velhos novos amigos, que vivo esquecendo o rosto, mas esses nunca do meu.
Ao mesmo tempo que me encontro deslocando por terra e alguns trechos até debaixo dela, ainda consigo acompanhar voos num mundo poético e cheio de estrelas. Os relógios que sempre me guiaram hoje também acenaram com seu ponteiro que sempre nos recebe educadamente com seu maior braço e nos mostra que estamos sempre em movimento.
Em um certo momento, onde alguns cochilavam, outros há mais de 60 anos atrás, uma triste música, carregada de verdades, surgiu e uma estranha calma se apossou de mim, respirando aquele ar que ainda demoraria para ficar poluído com desgastes e desilusões. Repousou- se em mim de tal maneira que meus olhos fecharam. E foi gratificante...
A mala que eu carregava, devido a forma que a peguei e saí quando as portas me deixaram na estação, não era uma simples mochila, porém uma mala. Negra, de couro, polida e muito importante. Ninguém sabia que ali dentro continha segredos antigos do mundo e criptografados; reveladores mistérios de como ser criança ou permanecer uma: que lembra sempre o adulto que um dia já foi criança e para a criança que o tempo é eterno!
As televisões ligadas em respectivos estabelecimentos exibiam cotidianamente seus noticiários. Havia me esquecido como ela é ansiosa para mostrar acidentes, desastres e confusões bem antes das 7 horas da manhã...
Em outros lugares, sou como um convidado, esperado como tantos outros, não obstante ,atrasado. Chego sem jeito, depois de tempos sem ver os antigos rostos que haviam se acostumado com o meu. Nada sei de suas vidas, mas o pão e o café é a ceia da qual , servida na mesa capitalista, nos une para juntarmos forças e enfrentar o dia que virá.
No fim do começo, uma cena arrematadora: O sorriso que me foi aberto, fez meus braços e minha boca abrirem em sinal de sorriso, alegria, saudades que estava sendo matada. minha mente esperava abraços gostosos, mas deve ter ficado tanto tempo esperando que ela própria fabricou e mandou movimentos para o meu corpo doar abraços sinceros. Ah,criança, você não era assim...
O fim também foi de forma igual como era antes. Não importa o movimento da cidade. Até o Caos possui hora marcada e local para agir. Eis o inferno que o herói que sai de sua concha para dar sua cara a tapa precisa passar. Faz parte atravessar os campos de lava para chegar ao paraíso, disseram...
Nem mais, nem menos. O dia completou seu ciclo.
A mente cansada, ainda luta para reescrever as memórias...
Os olhos já se entregam, mesmo a luz que os ilumina para se manterem abertos...
Novos e velhos rostos foram vistos hoje, mais uma vez.
É uma pena que até para os mais próximos, demorará para se tornarem "comuns".
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