" Quando eu era pequeno, os mortos me davam medo. Pertenciam a um mundo totalmente diferente e assustador, suas aparições eram inusitadas e eram etéreos: tinham a habilidade de atravessar paredes.
Ao longo do tempo, minha definição provou estar errada. O nome que se dá para isso é 'espíritos' ou 'almas'.
Hoje, na atual realidade, os mortos tem uma nova conotação: possuem um exército mutilador, desorganizado e totalmente material. E, é claro, me dão hoje o dobro de medo...e desespero... "
-Autor desconhecido-
"Naquela ocasião, procurar pistas de meus amigos tinha sido em vão. Os poucos rostos conhecidos já estavam desfigurados e faziam parte de uma outra realidade. E eu não podia fazer mais nada por eles.
Matá-los novamente era muito arriscado. E me faltava capacidade para tal. Eu tinha uma só espada e um único cérebro entrando em parafusos, tentando entender e se adaptar a nova verdade, ao mesmo tempo que também fazia questão de trabalhar dobrado pra não virar comida.
Retornei enquanto pude, peguei a merda dos meus principais pertences para sobreviver e parti, afim de averiguar o quanto esse novo paradigma existia, ou até onde: deixei muita coisa para trás...
Após um ano, por falta de comida e segurança, resolvi voltar e fazer da minha casa e das demais ao meu redor meu pequeno reino. Estaria seguro e aquele bairro não era mais segredo pra mim. Conhecia as rotas de fuga como o corpo de uma mulher gostosa que me deleitei noites e noites.
Voltei para meu antigo lar aqui em SP trajando roupas e acessórios que fui conseguindo ao longo desse ano. Isso custou algumas invasões à casas vazias e não tão vazias, suor e alguma quantidade de sangue. Algumas vidas pode-se colocar também nesta lista. Nunca as frases 'A casa do Senhor possui várias moradas' e ' Sobrevivência do mais apto' faziam seu sentido completo, e se completavam.
'A vida é outra agora, foda-se!', eu pensava. E é assim mesmo hoje, chapa! Se não bastasse a luta infernal contra a horda esfomeada, os inimigos também são os que ainda pensam. Mas essa é uma linha tênue e sutil sobre sanidade...
Mas acredite: a realidade nunca me bateu tão forte quanto agora.
Chegando em casa, tudo havia sido destruído: haviam marcas e pistas de que os vivos passaram por ali procurando refúgio, da mesma forma que também foram surpreendidos pelos mortos. Entretanto, apesar dos musgos e vegetação persistir nesse cenário de escombros e casas abandonadas, haviam dois detalhes que, se eu tivesse percebido a tempo, TALVEZ não me encontrasse agora nessa situação:
- O local estava razoavelmente limpo e quieto;
- Existia comida e um kit médico bem a mostra;
Cara, não venha dizer que consegue raciocinar numa situação dessa. Eu estava ferrado até o pescoço por praticar Parkour em telhados que viviam quebrando comigo em cima! Nem lembrava que essa tática era usada por alguns grupos em Cangaíba, Vila Prudente e Ipiranga.
No ímpeto da necessidade, coloquei minha mão no kit e ,sem perceber, acionei uma espécie de dispositivo precário, com alguns tiros automáticos amontoados com restos de artilharia e lâminas.
Nosso cérebro, após um ano tentando sobreviver a tudo, fica meio paranoico e aprendemos a nos incomodar com a mais leve brisa do vento batendo nos pelos do braço. O reflexo me fez escapar da morte, mas não dos ferimentos do corpo.
Para o canto que pulei e me arrastei ensopado de sangue com uma dor do caralho, xingava o filho da puta que tinha colocado aquela merda ali e desejava encontrar o mais cedo possível pra arrancar a cabeça dele e empalar por mera vingança e ódio infantil. Mas desejava trombar o merdinha depois de me recuperar no novo vestido de peneira que eu trajava naquele momento...Senti um cano gelado na minha têmpora direita e um 'click'. O meu reflexo, ou o que sobrou dele, ainda me fez levantar a espada e apontar na garganta do ser que se encontrava ali, em ótima forma, retribuindo a arma de fogo negra.
Marcos, um outro amigo meu que morava ali naquele mesmo quintal em outrora e que eu pensava estar morto, esbanjava de vida bem mais do que eu, mostrando que ali era o seu território.
Seus olhos estavam diferentes. A porra toda do mundo já tinha enlouquecido mesmo e estava claro que ele iria me matar, sem remorso algum. Ao meio de dores e palavras que mais pareciam gritos, tentei argumentar que éramos amigos.
Ele retrucou, dizendo que a 'amizade' existia para afogar o capitalismo existente da antiga realidade. E que hoje os suprimentos e a sobrevivência era o mais importante.
Agora recordo-me de como ele dizia, antes de tudo isso começar, como ele se deliciaria num apocalipse zumbi, caso acontecesse um dia. E não é que o cara levava jeito pra esse tipo de coisa?...
...Mas também não posso culpar o desgraçado. Perder os entes queridos para essas coisas fode com a mente de qualquer um. Transforma nosso cérebro em paçoca, tah ligado?
A armadilha foi ele quem montou e colocou, focado nos sobreviventes em busca de abrigo e comida. Ele se apoderava do que os viajantes desatentos carregavam consigo. De mim ele não levaria muita coisa: duas espadas, chapéu e meu lenço vermelho.Eu estava faminto fazia três dias; nem minhas fezes o maldito teria. Mas também não teria o prazer de cagar no território dele. Mas... Porra, mano...o lenço não...
A minha sorte (ou não) foi que, com o barulho da armadilha acionada, os mortos vieram não-sei-de-onde, guiado pelo som, barrando a única via entre as casas que levaria ao arsenal de armas que Marcos guardava em uma das casas. Eles barravam também a passagem para a rua.
'Se eu tiver de morrer, você será devorado também e esse merdinha de arma não vai dar conta', pensei. Mas achei melhor usar as forças que me restavam para bolar uma rota de fuga improvisada.
Relutante em seguir certos toques meus, Marcos ajudou em nossa fuga. Em uma dor dos diabos, os filmes hollywoodianos de piratas me vieram na mente ensinando um truque ou dois, de modo que naquela hora consegui achar uma saída escapando, ele e eu, ilesos dos zumbis, mas não sem antes pegar o kit médico da armadilha, alegando que eu estava fodido por culpa da maldita trap dele. Nada mais justo eu usar.
Por ora, Marcos se encontra desabrigado feito eu.
Por ora, iremos ao centro da cidade, em busca de alimentos fáceis e dias de sobrevivência.
No Vale do Diabo, somos aliados temporariamente.
A amizade já se encontra morta nessa realidade...
Zombie Walk 2013"
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Diário de Bordo de um Sobrevivente: Prólogo Apocalíptico
(Texto originalmente publicado no dia 2 de Novembro de 2012, in Facebook)
"Lembro que era uma semana agitada. Coincidência ou não, naquelas últimas semanas a polícia de toda SP estava em conflito com a facção criminosa e o fogo cruzado já havia levado algumas vidas. O noticiário não parava de insistir que o crime era o personagem principal dessa confusão toda. Mas estava claro que não eram só policias e criminosos que estavam morrendo. Civis também, em grande quantidade.
O 'toque de recolher' era constante e variava de bairro para bairro. Onde eu morava era a partir das 22 horas; outros a partir das 20 horas e alguns lugares (estranhamente), era a partir das 00:00 h.
Na quinta a noite, enquanto ficava no pc conversando com meus amigos, ouvia-se sirenes ao longe. Barulhos estranhos que ecoavam através do ar como explosões e barulhos abafados. Shino, um amigo meu, já estava disposto a sair no feriado, logo pela manhã, para encontrar não-sei- quem. eu também tinha algo marcado, mas agora não lembro. Agora não faz diferença.
Acordei no dia 2 de Novembro com barulhos no quintal do qual existem 4 casas, e minha casa é uma delas. Não fui ver o que era. Acordei de mau-humor e me enfiei no banho. Shino já não mais se encontrava em casa.
Quando estava de saída, minha surpresa: o quintal todo cheio de sangue. Marca de coisas que foram arrastadas pelo chão ensopadas de sangue decoravam o quintal. O meu coração disparava e meus olhos estavam incrédulos no que viam. Cada passo meu tremia e mal me mantinha em pé. Quando me direcionei ao corredor, meu desespero foi tamanho: uma horda daquilo que só tínhamos visto em filmes, se esforçava para entrar pelo portão, aglomerados e 'fechados' pelos mesmos corpos.
Lágrimas corriam involuntariamente pelo meu rosto quando regressei correndo e me tranquei em casa. Olhava ao redor e só achava panelas que me assegurariam alguns minutos de vida, enquanto eles invadiriam minha casa e me devorariam. Lembrei-me então da espada que meu amigo tinha aqui. Ela funcionava, em teoria.
Voltei para o corredor e, como se locomovessem mais rápido por ouvir qualquer som, fui chamando um a um, isso quando não atravessava a cabeça de dois ao mesmo tempo, graças aos seriados que me ensinaram direitinho como fazer.
Traumatizado, tremendo e com o serviço feito, vou até a rua procurar respostas. Tudo está um caos...
O 'toque de recolher' era isso, então. O Crime Organizado escondia esse fato.
As mortes eram isso. Estava além da minha compreensão ou da sociedade. Mas agora estávamos mergulhados no mais profundo caos e terror.
Era eu e minha espada. Indo para o metrô, no vale do Anhangabaú, procurar pelos amigos sobreviventes.
Eu fui no Zombie Walk 2012."
"Lembro que era uma semana agitada. Coincidência ou não, naquelas últimas semanas a polícia de toda SP estava em conflito com a facção criminosa e o fogo cruzado já havia levado algumas vidas. O noticiário não parava de insistir que o crime era o personagem principal dessa confusão toda. Mas estava claro que não eram só policias e criminosos que estavam morrendo. Civis também, em grande quantidade.
O 'toque de recolher' era constante e variava de bairro para bairro. Onde eu morava era a partir das 22 horas; outros a partir das 20 horas e alguns lugares (estranhamente), era a partir das 00:00 h.
Na quinta a noite, enquanto ficava no pc conversando com meus amigos, ouvia-se sirenes ao longe. Barulhos estranhos que ecoavam através do ar como explosões e barulhos abafados. Shino, um amigo meu, já estava disposto a sair no feriado, logo pela manhã, para encontrar não-sei- quem. eu também tinha algo marcado, mas agora não lembro. Agora não faz diferença.
Acordei no dia 2 de Novembro com barulhos no quintal do qual existem 4 casas, e minha casa é uma delas. Não fui ver o que era. Acordei de mau-humor e me enfiei no banho. Shino já não mais se encontrava em casa.
Quando estava de saída, minha surpresa: o quintal todo cheio de sangue. Marca de coisas que foram arrastadas pelo chão ensopadas de sangue decoravam o quintal. O meu coração disparava e meus olhos estavam incrédulos no que viam. Cada passo meu tremia e mal me mantinha em pé. Quando me direcionei ao corredor, meu desespero foi tamanho: uma horda daquilo que só tínhamos visto em filmes, se esforçava para entrar pelo portão, aglomerados e 'fechados' pelos mesmos corpos.
Lágrimas corriam involuntariamente pelo meu rosto quando regressei correndo e me tranquei em casa. Olhava ao redor e só achava panelas que me assegurariam alguns minutos de vida, enquanto eles invadiriam minha casa e me devorariam. Lembrei-me então da espada que meu amigo tinha aqui. Ela funcionava, em teoria.
Voltei para o corredor e, como se locomovessem mais rápido por ouvir qualquer som, fui chamando um a um, isso quando não atravessava a cabeça de dois ao mesmo tempo, graças aos seriados que me ensinaram direitinho como fazer.
Traumatizado, tremendo e com o serviço feito, vou até a rua procurar respostas. Tudo está um caos...
O 'toque de recolher' era isso, então. O Crime Organizado escondia esse fato.
As mortes eram isso. Estava além da minha compreensão ou da sociedade. Mas agora estávamos mergulhados no mais profundo caos e terror.
Era eu e minha espada. Indo para o metrô, no vale do Anhangabaú, procurar pelos amigos sobreviventes.
Eu fui no Zombie Walk 2012."
sábado, 19 de outubro de 2013
Nightpassion
(texto originalmente criado em 20 de Agosto de 2013, in Facebook)
Ah, admito que quando ergo meus olhos para ver sua face, seu mistério entra em sintonia com o meu e, da mesma forma que eu duvido que você saiba algo sobre mim, acontece também o contrário. Você já foi testemunha das minhas traições desmedidas contra ti. Não sei se você me observa, ou se me ignora, querendo talvez esquecer que um dia você buscou em mim respostas. Mas ainda te admiro e acredite: tudo o que eu fiz, incluindo te trair, bem embaixo do seu nariz, foi por amor.
Você me embala numa luz que me cobre e me faz bancar o mais perverso gato dos becos ou um vira-lata das ruas.
Mas acredite: foi por amor.
Muitas desejariam que eu olhasse para elas assim como eu te olho de forma única, admirando-te quando domina minhas noites com seu brilho cheio e intenso...
Ah, admito que quando ergo meus olhos para ver sua face, seu mistério entra em sintonia com o meu e, da mesma forma que eu duvido que você saiba algo sobre mim, acontece também o contrário. Você já foi testemunha das minhas traições desmedidas contra ti. Não sei se você me observa, ou se me ignora, querendo talvez esquecer que um dia você buscou em mim respostas. Mas ainda te admiro e acredite: tudo o que eu fiz, incluindo te trair, bem embaixo do seu nariz, foi por amor.
Você me embala numa luz que me cobre e me faz bancar o mais perverso gato dos becos ou um vira-lata das ruas.
Mas acredite: foi por amor.
Muitas desejariam que eu olhasse para elas assim como eu te olho de forma única, admirando-te quando domina minhas noites com seu brilho cheio e intenso...
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
A culpa é de quem?
É minha, claro!
Calma. (Vou tentar) explicar melhor...
Creio que neste exato momento, estou em minhas perfeitas faculdades mentais. Porém como não sei até quando isso será possível, é melhor eu já ir adiantando esse texto e colocar tudo nele.
Chegou a hora de assumir as merdas que penso, falo e faço. Assumir a culpa de uma vez por todas. Parar de criar situações utópicas ao nível extremo da fantasia que jamais acontecerá. Me refiro a colocar minha vida nas mãos de personagens perfeitos na visão fictícia.
Fizemos de Deus um ser tão perfeito quanto os príncipes da Disney ou dos Cinquenta tons de Cinza. E não importa se trata de literatura religiosa, infantil ou adulta: são perfeitos demais a ponto de fazermos sonhar. Isso também acontece com as Deusas esquecidas e suas familiaridades com as mulheres de Outdoors e Hollywood, visíveis e imagináveis hoje graças ao Photoshop.
Buscamos a Verdade, a beleza, o real montando mentiras e mais mentiras. Jamais chegaremos a produzir o que é verdadeiro porque nem conhecemos a Verdade. Pensamos saber, somos hipócritas em afirmar que sabemos de tudo, pois Deus e os Orixás estão conosco... Mas jamais assumimos a merda que fazemos. Jamais.
A culpa é sempre de outra pessoa, outro ser. Nunca nossa. Incrível! E achamos que temos explicação para tudo. Basta colocar o que não conseguimos compreender no "sobrenatural inalcançável" e pronto: parece que tudo faz sentido, é bonito e não temos como mudar. Essa é, sem dúvida, a máxima da auto-sabotagem primordial!!!
A dor é culpa dos outros. As doenças são coisas permitidas por Deus e seus métodos pedagógicos de ensino. A guerra também.
O tempo se tornou mais importante que o espírito. E, através dele (do tempo), foi criado um sistema onde a alma custa um preço exorbitante, pois temos pouco tempo, e ansiamos pagar qualquer preço pra salvarmos nossa alma.
Fala sério, precisamos parar com essa merda. Agora, já!
Você, que está lendo esse Blog: por que lê?
Acha que eu escrevo bem? (er..obrigado! rs)
Acha que eu escrevo merdas & groselhas? (er...obrigado, de certa forma!)
Ou está aqui porque há uma voz, dentro de você (que você pode chamar do que quiser) que te cutuca a buscar algo...?
Esse algo pode ser uma pista...
Uma direção...
Uma resposta...
Um valor do seu "precioso" tempo que se esgota...?
Fale a verdade (mas só para si); reflita: O que você veio procurar aqui, nesta página?
Um mero passatempo? Procurar saber se sou louco? Quantos erros de português eu cometo por linhas? Ou porque você sente que algo te faz andar em círculos? Procura saber se penso igual a ti ou semelhante? E que não está sozinho, mesmo sendo muitos e muito somos individualistas?
Já sentiu que uma ou duas coisas foram ocultadas de você? Ou que tudo que lhe acontece você aceita com uma falsa sabedoria de que "tudo faz parte e está perfeitamente em seu lugar"?
Então, tudo é merecido e aceitável, já que tem culpa de tudo, correto?
Não.
Vamos separar a palavra "castigo" e "consequência".
Os deuses mais antigos castigavam os humanos que iam contra seus ensinamentos. Entretanto devemos lembrar que foram os próprios humanos que, através dos mitos, criaram no cérebro humano e limitado, o verbo de que os deuses são capazes de castigar.
O HOMEM ESTÁ ACIMA DE DEUS!
Afirmo com toda a certeza, a essa altura!
Pois só o Homem controla o tempo de outro homem...
...O dinheiro de outro homem...
...O ensinamento de outro homem...
...É capaz de criar doenças que controlam a taxa de mortalidade...
...Estuda a capacidade de controlar a natalidade...
... E é nefastamente (?) capaz de fazer com que a humanidade seja capaz de andar em cima de uma risca de giz, se assim for da vontade de quem a desenhou.
Nos foi escondido coisas que deveríamos saber, como um pai de todos que decide se o filho está no momento certo ou não de aprender algo além.
DEUS JAMAIS FARIA ISSO CONOSCO! E parece que agora fomos criados a se manter violentamente pacíficos, ou pacificamente violentos dentro de nossa gaiola chamada Vida.
Inclusive, nesta parte da prisão, acontece algo engraçado: "destruindo" nossa "prisão", a deixamos mais forte, selando nossa alma, nosso espírito em algo decadente por natureza. Com cigarros e bebidas, nos transformamos em decadentes a cada segundo.
------------------------------
Há quem vai ler esse texto e me classificará como hipócrita: não estará errado totalmente. E há os bem-aventurados que afirmarão com exímia certeza de que, agora sim, enlouqueci de vez: creio que estarão certos apenas 1/3.
Estou pra conhecer alguém que controla a sua própria vida ao seu bel prazer, que passa por cima dos aborrecimentos, que não adoece, que não prejudica e não deseja mal a ninguém. Que vive dessa forma e tem plena consciência de que está vivendo uma verdade: A Verdadeira Vida. Que não sente nenhuma desconfiança de que não há nada fora do lugar. De que não enxergamos sombras ou projeções irreais. Que reconhece todas as cores e formas da natureza.
Por ora, vou aceitando valores invertidos, brigas, roubos de tempo e vida, injustiças, falta de reconhecimento, personagens utópicos e todas essas dilacerações. É que fui criado a aceitar estupros contra mim, sem gritar. E a culpa é minha.
E você: tem culpa?
Calma. (Vou tentar) explicar melhor...
Creio que neste exato momento, estou em minhas perfeitas faculdades mentais. Porém como não sei até quando isso será possível, é melhor eu já ir adiantando esse texto e colocar tudo nele.
Chegou a hora de assumir as merdas que penso, falo e faço. Assumir a culpa de uma vez por todas. Parar de criar situações utópicas ao nível extremo da fantasia que jamais acontecerá. Me refiro a colocar minha vida nas mãos de personagens perfeitos na visão fictícia.
Fizemos de Deus um ser tão perfeito quanto os príncipes da Disney ou dos Cinquenta tons de Cinza. E não importa se trata de literatura religiosa, infantil ou adulta: são perfeitos demais a ponto de fazermos sonhar. Isso também acontece com as Deusas esquecidas e suas familiaridades com as mulheres de Outdoors e Hollywood, visíveis e imagináveis hoje graças ao Photoshop.
Buscamos a Verdade, a beleza, o real montando mentiras e mais mentiras. Jamais chegaremos a produzir o que é verdadeiro porque nem conhecemos a Verdade. Pensamos saber, somos hipócritas em afirmar que sabemos de tudo, pois Deus e os Orixás estão conosco... Mas jamais assumimos a merda que fazemos. Jamais.
A culpa é sempre de outra pessoa, outro ser. Nunca nossa. Incrível! E achamos que temos explicação para tudo. Basta colocar o que não conseguimos compreender no "sobrenatural inalcançável" e pronto: parece que tudo faz sentido, é bonito e não temos como mudar. Essa é, sem dúvida, a máxima da auto-sabotagem primordial!!!
A dor é culpa dos outros. As doenças são coisas permitidas por Deus e seus métodos pedagógicos de ensino. A guerra também.
O tempo se tornou mais importante que o espírito. E, através dele (do tempo), foi criado um sistema onde a alma custa um preço exorbitante, pois temos pouco tempo, e ansiamos pagar qualquer preço pra salvarmos nossa alma.
Fala sério, precisamos parar com essa merda. Agora, já!
Você, que está lendo esse Blog: por que lê?
Acha que eu escrevo bem? (er..obrigado! rs)
Acha que eu escrevo merdas & groselhas? (er...obrigado, de certa forma!)
Ou está aqui porque há uma voz, dentro de você (que você pode chamar do que quiser) que te cutuca a buscar algo...?
Esse algo pode ser uma pista...
Uma direção...
Uma resposta...
Um valor do seu "precioso" tempo que se esgota...?
Fale a verdade (mas só para si); reflita: O que você veio procurar aqui, nesta página?
Um mero passatempo? Procurar saber se sou louco? Quantos erros de português eu cometo por linhas? Ou porque você sente que algo te faz andar em círculos? Procura saber se penso igual a ti ou semelhante? E que não está sozinho, mesmo sendo muitos e muito somos individualistas?
Já sentiu que uma ou duas coisas foram ocultadas de você? Ou que tudo que lhe acontece você aceita com uma falsa sabedoria de que "tudo faz parte e está perfeitamente em seu lugar"?
Então, tudo é merecido e aceitável, já que tem culpa de tudo, correto?
Não.
Vamos separar a palavra "castigo" e "consequência".
Os deuses mais antigos castigavam os humanos que iam contra seus ensinamentos. Entretanto devemos lembrar que foram os próprios humanos que, através dos mitos, criaram no cérebro humano e limitado, o verbo de que os deuses são capazes de castigar.
O HOMEM ESTÁ ACIMA DE DEUS!
Afirmo com toda a certeza, a essa altura!
Pois só o Homem controla o tempo de outro homem...
...O dinheiro de outro homem...
...O ensinamento de outro homem...
...É capaz de criar doenças que controlam a taxa de mortalidade...
...Estuda a capacidade de controlar a natalidade...
... E é nefastamente (?) capaz de fazer com que a humanidade seja capaz de andar em cima de uma risca de giz, se assim for da vontade de quem a desenhou.
Nos foi escondido coisas que deveríamos saber, como um pai de todos que decide se o filho está no momento certo ou não de aprender algo além.
DEUS JAMAIS FARIA ISSO CONOSCO! E parece que agora fomos criados a se manter violentamente pacíficos, ou pacificamente violentos dentro de nossa gaiola chamada Vida.
Inclusive, nesta parte da prisão, acontece algo engraçado: "destruindo" nossa "prisão", a deixamos mais forte, selando nossa alma, nosso espírito em algo decadente por natureza. Com cigarros e bebidas, nos transformamos em decadentes a cada segundo.
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Há quem vai ler esse texto e me classificará como hipócrita: não estará errado totalmente. E há os bem-aventurados que afirmarão com exímia certeza de que, agora sim, enlouqueci de vez: creio que estarão certos apenas 1/3.
Estou pra conhecer alguém que controla a sua própria vida ao seu bel prazer, que passa por cima dos aborrecimentos, que não adoece, que não prejudica e não deseja mal a ninguém. Que vive dessa forma e tem plena consciência de que está vivendo uma verdade: A Verdadeira Vida. Que não sente nenhuma desconfiança de que não há nada fora do lugar. De que não enxergamos sombras ou projeções irreais. Que reconhece todas as cores e formas da natureza.
Por ora, vou aceitando valores invertidos, brigas, roubos de tempo e vida, injustiças, falta de reconhecimento, personagens utópicos e todas essas dilacerações. É que fui criado a aceitar estupros contra mim, sem gritar. E a culpa é minha.
E você: tem culpa?
domingo, 21 de julho de 2013
Existência Incômoda com a Existência
O meu lugar é... Não é.
Não me sinto útil num momento tão delicado como este.
É só encontrar uma fresta e pronto: estou nela. Daí fica fácil superar ou esquecer momentaneamente os mais diversos problemas.
Está certo isso? eu não deveria sofrer mais do que já estou sofrendo?
Será que me trará mais foco? Até onde sou culpado em burlar alguns sentimentos com tantas coisas lícitas e ilícitas?
Estou num lugar, e já quero sair dele. Vou para um outro, e desejo voltar pro primeiro. O terceiro existe, busco, e acabo achando uma bosta, maldizendo até o 4°, que nem sequer apareceu.
O tédio e a velocidade da boa vontade me irrita. Velozes feito tartarugas.
Vejo humanos, mas não vejo humanidade.
E o produto da moda é a tal da "fé"... Não sei do que ela é feita, nem sei como obtê-la. Mas todos dizem dela como se fosse uma amiga íntima que já salvou milhões. Eu não suporto mais ouvir isso. Ou aquilo. As vezes dá a impressão de que, se caso eu não acreditar, serei sentenciado com uma perda. Me vendem a crença de que tem alguém que salva, alivia, atende, ouve, vê...
Olho, quero abraçar e quase o abraço não sai. Nunca tive problemas de me expressar, por que agora surge as dificuldades?
Porque não consigo dizer"eu te amo" como eu conseguia sinceramente a 25 anos atrás? Não quero soar automático, feito um robô? Ou feito como algo sem valor, que existe nas ruas hoje em dia?
Eu me auto sufoco, com pensamentos que me empurram para baixo. Impotência, é o que eu sinto. Vontade de correr e não existir, ou se extinguir com o vento. Incomodado com a própria respiração, pequenos atos que me tragam ligeiras alegrais, numa depressão pior ainda horas depois?
As paredes dentro de mim estão cansadas de tremer pelos meus gritos de covardia. De não ter o poder de fazer o que já deveria ter sido feito. Ora, vamos: estamos falando de uma vida, porra!
Por outro lado, eu vejo um amor que eu nunca vi. Eu vejo rostos que mal vi chorar. Eu vejo vidas que fizeram um acordo de estarem juntos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, e cumprem com maestria, sem nenhuma traição! Atitude rara hoje em dia, enquanto respiramos...
Deixo de fazer algo, e esse algo vem de um outro lado, de uma outra direção, quase me dizendo que não tem como eu escapar ou me isolar. Que de um jeito ou de outro eu preciso fazer algo de bom ou de ruim. Só não to vendo valor nas minhas mais honestas tentativas de ser útil.
No momento, não há momento. O gosto amargo de eu estar vem na boca. Nada me anima. Abro mãos de sonhos pra nada.
Se tudo, de uma certa forma, está programado, e não consigo fugir da teia, então temo o futuro que me aguarda em marolas de um mar inconstante.
Não me sinto útil num momento tão delicado como este.
É só encontrar uma fresta e pronto: estou nela. Daí fica fácil superar ou esquecer momentaneamente os mais diversos problemas.
Está certo isso? eu não deveria sofrer mais do que já estou sofrendo?
Será que me trará mais foco? Até onde sou culpado em burlar alguns sentimentos com tantas coisas lícitas e ilícitas?
Estou num lugar, e já quero sair dele. Vou para um outro, e desejo voltar pro primeiro. O terceiro existe, busco, e acabo achando uma bosta, maldizendo até o 4°, que nem sequer apareceu.
O tédio e a velocidade da boa vontade me irrita. Velozes feito tartarugas.
Vejo humanos, mas não vejo humanidade.
E o produto da moda é a tal da "fé"... Não sei do que ela é feita, nem sei como obtê-la. Mas todos dizem dela como se fosse uma amiga íntima que já salvou milhões. Eu não suporto mais ouvir isso. Ou aquilo. As vezes dá a impressão de que, se caso eu não acreditar, serei sentenciado com uma perda. Me vendem a crença de que tem alguém que salva, alivia, atende, ouve, vê...
Olho, quero abraçar e quase o abraço não sai. Nunca tive problemas de me expressar, por que agora surge as dificuldades?
Porque não consigo dizer"eu te amo" como eu conseguia sinceramente a 25 anos atrás? Não quero soar automático, feito um robô? Ou feito como algo sem valor, que existe nas ruas hoje em dia?
Eu me auto sufoco, com pensamentos que me empurram para baixo. Impotência, é o que eu sinto. Vontade de correr e não existir, ou se extinguir com o vento. Incomodado com a própria respiração, pequenos atos que me tragam ligeiras alegrais, numa depressão pior ainda horas depois?
As paredes dentro de mim estão cansadas de tremer pelos meus gritos de covardia. De não ter o poder de fazer o que já deveria ter sido feito. Ora, vamos: estamos falando de uma vida, porra!
Por outro lado, eu vejo um amor que eu nunca vi. Eu vejo rostos que mal vi chorar. Eu vejo vidas que fizeram um acordo de estarem juntos na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, e cumprem com maestria, sem nenhuma traição! Atitude rara hoje em dia, enquanto respiramos...
Deixo de fazer algo, e esse algo vem de um outro lado, de uma outra direção, quase me dizendo que não tem como eu escapar ou me isolar. Que de um jeito ou de outro eu preciso fazer algo de bom ou de ruim. Só não to vendo valor nas minhas mais honestas tentativas de ser útil.
No momento, não há momento. O gosto amargo de eu estar vem na boca. Nada me anima. Abro mãos de sonhos pra nada.
Se tudo, de uma certa forma, está programado, e não consigo fugir da teia, então temo o futuro que me aguarda em marolas de um mar inconstante.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Laços Encharcados & O Valor do Ar
Um lado eu vivencio teoricamente uma fantasia. Teórica porque de fato ela não existe. É apocalíptica demais para a atual realidade. Mas nela eu vejo claramente cidades devastadas, casas abandonadas e pessoas lutando pela vida, nem que pra isso a leve a matar outras pessoas. Talvez, matando-as, tragam mais 5 minutos de vida ou quem sabe uma semana.
Do outro lado, vivencio o que todos os meios de comunicação me dizem sobre o que é a Verdade. E estou nela. Nesta, fui a principio criado a não ser muito otimista e não dar valor a vida. A lamentação foi uma das armas mais usadas. Mas agora abre-se uma clara missão de que chegou a hora de eu provar que a vida tem valor. Eu preciso provar pra uma pessoa específica o valor da luta pelo ar que respiramos. Pelos minutos e segundos que estamos aqui, e que não é em vão. É um jogo confuso, porque talvez eu ainda não tenha aprendido, e enquanto divago, segundos são perdidos e jamais recuperados. Confuso porque a minha descrença não salvará ninguém. Confuso porque devo desfazer a crença da desvalorização das batidas do coração. Uma vida depende disso.
E boa parte do meu mundo secreto começou a se abalar. E agora ele ameaça desabar, pra sempre...
Insônia. Ainda não entendi as regras do jogo. E essa missão me tira o sono. Deixa-me com os olhos pesados, ardidos como se houvesse chorado 45 anos. Me sinto que saí de casa, ainda pequeno, em busca de um grande tesouro, que fosse lendário, e que traria paz para meu povo, meu vilarejo, minha casa, minha família. Sai e parece que nada achei. Os laços que estavam amarrados em mim fui perdendo no meio da aventura. Ora ficava enroscado em galhos; outros simplesmente rasgavam. Caminhei tanto, que acabei cansando e comecei a andar sem rumo. Já havia desistido de procurar. Só quem olha de cima sabe o quanto me esforcei, mas também sabe o quão insignificante foi a distancia percorrida antes e durante a desilusão de procura.
No dia da partida, lembro-me de ter ficado indignado com as palavras que eu ouvi sobre a vida não fazer sentido. Achei uma besteira sem tamanho. E na viagem, já nem podendo mais voltar (e não desejava isso), eu ia cada vez mais em frente e cada vez mais aceitando de bom grado as palavras que outrora não fazia sentido para o coração desbravador que saíra de seu vilarejo. Me tornei como o povo do meu vilarejo. Um "inconsciente respirador".
Não que não se esforçavam para entender cada inscrição antiga nas paredes de nossos limites territoriais. Mas as diversas interpretações os cansavam a cada dia...
Pergunto as vezes, só por perguntar, se dentro de outras casas, em vários lugares que passo, é assim.
Sei que nunca dizem a verdade. Pois podem ocultar verdades ainda mais sombrias ...
Me sinto um quebra-cabeças, com algumas peças faltando nas 4 pontas e uma no centro, mais precisamente do lado esquerdo da minha própria imagem pintada.
Essa peça, dentro dela, está a resposta, a escrita, o modus - operandi de como ser bem sucedido na missão. Como resgatar aquilo que foi perdido. Porque nossos tesouros podem ser vários. E parece que só damos conta deles quando os perdemos.
Se o por do sol existe, ele me traz uma canção triste e profunda. sua luz que gira amarelo,laranja e vermelho me traz uma solidão como num mundo onde me mato pra me manter vivo.
Se a chuva cai,o céu cinza é o imperador que diz que a Esperança está longe de ser resgatada. A água gelada proveniente da chuva e o vento forte são, se num mundo perfeito, o que traz a vida, no meu podem trazer a desistência por serem nocivos à saúde. São os dois ladrões e detentores da Esperança. Entretanto tudo depende de como se encara, como se interpreta, e como caminha adiante...
Alcançando estes, por exemplo, tudo torna amigável, e os dois conceberão o prêmio que guardaram...
Sinto que minha casa está vazia. Dentro e fora.
Que as coisas ficarão estáticas com o tempo. Cheirarão ruim pela casa trancada.
Que o tempo vai parar. Não terá tanto movimento. Bem, ela também precisa de um tempo sem mim, e de minhas maluquices.
Reconheci, em minhas andanças lá fora, uma habilidade muito importante para se manter de pé. Escapar dos perigos. Revitalizar a energia perdida. Necessito disso agora. Até o dia que partirei, juntarei essa energia.
Coletarei no mais carinhoso movimento. Colecionei vários até hoje e creio, se não fosse por eles, eu ja estaria morto.
O Abraço...
É algo que o ser humano pode fazer quase sem nenhum esforço. Nesse momento, preciso de muitos mais do que nunca. Muitos, pois não posso sobrecarregar quem já está me dando sem nada em troca.
Quando é demasiado bom, as lágrimas correm para fortalecer aquela energia e gesto.
Os que não puderem dar, sinto revelar que irei roubar. Desculpem, mas não é pra mim, em termos.
Eu preciso juntar toda a força deles num só lugar. Preciso espalhar logo após por todo meu corpo. Preciso fazer com que emane pelos meus poros e faça meus olhos brilhar de uma forma incandescente.
Uma vida depende disso.
Eu terei de ser uma das veias ligadas ao coração.
Eu terei de estar presente como o ar.
Eu preciso ser a água escondida num poço no Deserto.
Acima de tudo, eu preciso provar que a luta pela vida vale a pena.
Com todos esses abraços que recebi até hoje, cheguei onde estou.
Mas agora é hora de transferir para quem precisa.
Serei o mediador. Manter de pé minha alegria. Minha minúscula crença.
E fazer disso tudo a cura.
Todos os meus amigos, meus sinceros Obrigado.
Sei que não estou longe. E gabo em me dizer que, onde quer que eu vá, estarei bem acompanhado por vocês. Obrigado pelo carinho e pela força que me dão diariamente, seja os conselhos, os tapas na cara, ou as horas desperdiçadas com a mais simples felicidade de sermos amigos...
Agora preciso arrumar as coisas e partir. Enxugar os laços. Respirar fundo esse ar. Raciocinar focando a vitória. Colocar todos os abraços dentro da minha caixa e salvar... Salvar entre pessoas e laços, a crença de que a vida tem valor.
O ladrão de Abraços
Do outro lado, vivencio o que todos os meios de comunicação me dizem sobre o que é a Verdade. E estou nela. Nesta, fui a principio criado a não ser muito otimista e não dar valor a vida. A lamentação foi uma das armas mais usadas. Mas agora abre-se uma clara missão de que chegou a hora de eu provar que a vida tem valor. Eu preciso provar pra uma pessoa específica o valor da luta pelo ar que respiramos. Pelos minutos e segundos que estamos aqui, e que não é em vão. É um jogo confuso, porque talvez eu ainda não tenha aprendido, e enquanto divago, segundos são perdidos e jamais recuperados. Confuso porque a minha descrença não salvará ninguém. Confuso porque devo desfazer a crença da desvalorização das batidas do coração. Uma vida depende disso.
E boa parte do meu mundo secreto começou a se abalar. E agora ele ameaça desabar, pra sempre...
Insônia. Ainda não entendi as regras do jogo. E essa missão me tira o sono. Deixa-me com os olhos pesados, ardidos como se houvesse chorado 45 anos. Me sinto que saí de casa, ainda pequeno, em busca de um grande tesouro, que fosse lendário, e que traria paz para meu povo, meu vilarejo, minha casa, minha família. Sai e parece que nada achei. Os laços que estavam amarrados em mim fui perdendo no meio da aventura. Ora ficava enroscado em galhos; outros simplesmente rasgavam. Caminhei tanto, que acabei cansando e comecei a andar sem rumo. Já havia desistido de procurar. Só quem olha de cima sabe o quanto me esforcei, mas também sabe o quão insignificante foi a distancia percorrida antes e durante a desilusão de procura.
No dia da partida, lembro-me de ter ficado indignado com as palavras que eu ouvi sobre a vida não fazer sentido. Achei uma besteira sem tamanho. E na viagem, já nem podendo mais voltar (e não desejava isso), eu ia cada vez mais em frente e cada vez mais aceitando de bom grado as palavras que outrora não fazia sentido para o coração desbravador que saíra de seu vilarejo. Me tornei como o povo do meu vilarejo. Um "inconsciente respirador".
Não que não se esforçavam para entender cada inscrição antiga nas paredes de nossos limites territoriais. Mas as diversas interpretações os cansavam a cada dia...
Pergunto as vezes, só por perguntar, se dentro de outras casas, em vários lugares que passo, é assim.
Sei que nunca dizem a verdade. Pois podem ocultar verdades ainda mais sombrias ...
Me sinto um quebra-cabeças, com algumas peças faltando nas 4 pontas e uma no centro, mais precisamente do lado esquerdo da minha própria imagem pintada.
Essa peça, dentro dela, está a resposta, a escrita, o modus - operandi de como ser bem sucedido na missão. Como resgatar aquilo que foi perdido. Porque nossos tesouros podem ser vários. E parece que só damos conta deles quando os perdemos.
Se o por do sol existe, ele me traz uma canção triste e profunda. sua luz que gira amarelo,laranja e vermelho me traz uma solidão como num mundo onde me mato pra me manter vivo.
Se a chuva cai,o céu cinza é o imperador que diz que a Esperança está longe de ser resgatada. A água gelada proveniente da chuva e o vento forte são, se num mundo perfeito, o que traz a vida, no meu podem trazer a desistência por serem nocivos à saúde. São os dois ladrões e detentores da Esperança. Entretanto tudo depende de como se encara, como se interpreta, e como caminha adiante...
Alcançando estes, por exemplo, tudo torna amigável, e os dois conceberão o prêmio que guardaram...
Sinto que minha casa está vazia. Dentro e fora.
Que as coisas ficarão estáticas com o tempo. Cheirarão ruim pela casa trancada.
Que o tempo vai parar. Não terá tanto movimento. Bem, ela também precisa de um tempo sem mim, e de minhas maluquices.
Reconheci, em minhas andanças lá fora, uma habilidade muito importante para se manter de pé. Escapar dos perigos. Revitalizar a energia perdida. Necessito disso agora. Até o dia que partirei, juntarei essa energia.
Coletarei no mais carinhoso movimento. Colecionei vários até hoje e creio, se não fosse por eles, eu ja estaria morto.
O Abraço...
É algo que o ser humano pode fazer quase sem nenhum esforço. Nesse momento, preciso de muitos mais do que nunca. Muitos, pois não posso sobrecarregar quem já está me dando sem nada em troca.
Quando é demasiado bom, as lágrimas correm para fortalecer aquela energia e gesto.
Os que não puderem dar, sinto revelar que irei roubar. Desculpem, mas não é pra mim, em termos.
Eu preciso juntar toda a força deles num só lugar. Preciso espalhar logo após por todo meu corpo. Preciso fazer com que emane pelos meus poros e faça meus olhos brilhar de uma forma incandescente.
Uma vida depende disso.
Eu terei de ser uma das veias ligadas ao coração.
Eu terei de estar presente como o ar.
Eu preciso ser a água escondida num poço no Deserto.
Acima de tudo, eu preciso provar que a luta pela vida vale a pena.
Com todos esses abraços que recebi até hoje, cheguei onde estou.
Mas agora é hora de transferir para quem precisa.
Serei o mediador. Manter de pé minha alegria. Minha minúscula crença.
E fazer disso tudo a cura.
Todos os meus amigos, meus sinceros Obrigado.
Sei que não estou longe. E gabo em me dizer que, onde quer que eu vá, estarei bem acompanhado por vocês. Obrigado pelo carinho e pela força que me dão diariamente, seja os conselhos, os tapas na cara, ou as horas desperdiçadas com a mais simples felicidade de sermos amigos...
Agora preciso arrumar as coisas e partir. Enxugar os laços. Respirar fundo esse ar. Raciocinar focando a vitória. Colocar todos os abraços dentro da minha caixa e salvar... Salvar entre pessoas e laços, a crença de que a vida tem valor.
O ladrão de Abraços
sábado, 6 de julho de 2013
Brenda
Estranho. Ainda não acordei.
Não lembro-me de ter tomado nenhuma birita ontem a noite. Mas a sensação é de uma declarada ressaca, onde me encontro, neste exato momento, com dor de cabeça.
Lembro-me apenas de meu corpo produzir uma substância, ao longo do dia, e eu tomar aos poucos, em doses regulares.
...
Ah, sim, e ter virado tudo à noite, numa explosão impetuosa de certas coisas que deveria fazer. Após isso, lembro-me de ter voltado ao estado inicial, mas com algumas lembranças que me chateavam.
Me distrai como pude, e dentro de mim, algo estava sendo ainda produzido, em silêncio.
Tinha aparência real.
Personalidade.
Movimentos próprios...
...e por fim, nome.
Nunca a vi na vida.
Veio abalar o meu coração, numa noite de 12 horas...
Numa confusão onírica, embora me encontrasse dormindo, misturou as cenas do que vi ao longo do dia. Lugares que frequento ou frequentei. Ela estava lá; apareceu. Não sabia de onde tinha vindo. Mas sua personalidade forte logo de começo me chamou a atenção.
O que geralmente acontece com os outros começava a acontecer comigo. E minhas paredes sumiam interessadas na suposta armadilha...
Seu rosto, cabelo, corpo, e o sorriso, revelado no fim, era um grande conjunto de pequenas peças pregadas com o intuito de adentrar em minha vazia caixa toráxica, que não bate nessa sintonia já faz um tempo. E olha só, que novidade: desta vez, não trazia em sua bagagem nenhuma semelhança do que eu já cheguei a gostar...
Era nova,entretanto, nem tanto. Vacilava em uma ou duas frases, embora seu império interior possuía um semblante das muralhas mais altas e sólidas. Mas já admirei inúmeras de longe; pensava assim e, logo que me aproximava, percebia que eram feitas de papel machê.
Essa, como ser humano, não era diferente...
Nosso definitivo encontro teve de esperar, por conta de uma confusão mundial que veio como um conflito em nosso enredo. Claro, tinha de ser no nível baseado no que vi no mundo real, pertencendo a mais um mundo imaginário, que por loucura muitos desejam, e eu simplesmente temo que isso ocorra.
O tempo foi rápido em cuidar dos detalhes da vitória, e tão logo me encontrei com ela novamente. Acho que agora sim, conheceria aquilo que eu estava disposto a viver novamente...
Mas...
Uma outra pessoa entrou na mistura...Disposta a lutar pelo que acreditava. E me encontrei dividido.
O Medo e Sentimentos tomam formas infinitas dentro do Mundo Amplo da Madrugada. Controlam corpo e imagens feito marionetes. E não tem dó da sanidade mental de seu Sonhador...
Por fim, tudo isso acaba com uma cena que reflete algumas culpas e alguns ressentimentos, que desencadeou o ápice do dia anterior. Eu a escolhi, e fazendo isso, deu a entender que estava dando uma nova chance. Para mim. Para nós.
O despertar trouxe consigo a ressaca. Agora sim, me lembro. Ontem a noite eu produzi meio litro de veneno e ingeri ao longo do dia e, a noite, tomei tudo o que restou num só gole.
Não era à toa que me encontro desse jeito. Mas tudo que aumenta no mundo dos sonhos, perde sua força se voltar para ele.
Por ora deixarei você lá novamente. Me perdoe, meu mais novo amor: não é nada pessoal.
Posso até dizer que, se não fosse por você, duvidaria que existe uma fagulha que poderá acender mais adiante. Obrigado, de alguma forma. Mas suas coincidências no mundo real não me assustam por enquanto.
Agora, Adeus.
Não lembro-me de ter tomado nenhuma birita ontem a noite. Mas a sensação é de uma declarada ressaca, onde me encontro, neste exato momento, com dor de cabeça.
Lembro-me apenas de meu corpo produzir uma substância, ao longo do dia, e eu tomar aos poucos, em doses regulares.
...
Ah, sim, e ter virado tudo à noite, numa explosão impetuosa de certas coisas que deveria fazer. Após isso, lembro-me de ter voltado ao estado inicial, mas com algumas lembranças que me chateavam.
Me distrai como pude, e dentro de mim, algo estava sendo ainda produzido, em silêncio.
Tinha aparência real.
Personalidade.
Movimentos próprios...
...e por fim, nome.
Nunca a vi na vida.
Veio abalar o meu coração, numa noite de 12 horas...
Numa confusão onírica, embora me encontrasse dormindo, misturou as cenas do que vi ao longo do dia. Lugares que frequento ou frequentei. Ela estava lá; apareceu. Não sabia de onde tinha vindo. Mas sua personalidade forte logo de começo me chamou a atenção.
O que geralmente acontece com os outros começava a acontecer comigo. E minhas paredes sumiam interessadas na suposta armadilha...
Seu rosto, cabelo, corpo, e o sorriso, revelado no fim, era um grande conjunto de pequenas peças pregadas com o intuito de adentrar em minha vazia caixa toráxica, que não bate nessa sintonia já faz um tempo. E olha só, que novidade: desta vez, não trazia em sua bagagem nenhuma semelhança do que eu já cheguei a gostar...
Era nova,entretanto, nem tanto. Vacilava em uma ou duas frases, embora seu império interior possuía um semblante das muralhas mais altas e sólidas. Mas já admirei inúmeras de longe; pensava assim e, logo que me aproximava, percebia que eram feitas de papel machê.
Essa, como ser humano, não era diferente...
Nosso definitivo encontro teve de esperar, por conta de uma confusão mundial que veio como um conflito em nosso enredo. Claro, tinha de ser no nível baseado no que vi no mundo real, pertencendo a mais um mundo imaginário, que por loucura muitos desejam, e eu simplesmente temo que isso ocorra.
O tempo foi rápido em cuidar dos detalhes da vitória, e tão logo me encontrei com ela novamente. Acho que agora sim, conheceria aquilo que eu estava disposto a viver novamente...
Mas...
Uma outra pessoa entrou na mistura...Disposta a lutar pelo que acreditava. E me encontrei dividido.
O Medo e Sentimentos tomam formas infinitas dentro do Mundo Amplo da Madrugada. Controlam corpo e imagens feito marionetes. E não tem dó da sanidade mental de seu Sonhador...
Por fim, tudo isso acaba com uma cena que reflete algumas culpas e alguns ressentimentos, que desencadeou o ápice do dia anterior. Eu a escolhi, e fazendo isso, deu a entender que estava dando uma nova chance. Para mim. Para nós.
O despertar trouxe consigo a ressaca. Agora sim, me lembro. Ontem a noite eu produzi meio litro de veneno e ingeri ao longo do dia e, a noite, tomei tudo o que restou num só gole.
Não era à toa que me encontro desse jeito. Mas tudo que aumenta no mundo dos sonhos, perde sua força se voltar para ele.
Por ora deixarei você lá novamente. Me perdoe, meu mais novo amor: não é nada pessoal.
Posso até dizer que, se não fosse por você, duvidaria que existe uma fagulha que poderá acender mais adiante. Obrigado, de alguma forma. Mas suas coincidências no mundo real não me assustam por enquanto.
Agora, Adeus.
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