sábado, 6 de julho de 2013

Brenda

Estranho. Ainda não acordei.
Não lembro-me de ter tomado nenhuma birita ontem a noite. Mas a sensação é de uma declarada ressaca, onde me encontro, neste exato momento, com dor de cabeça.

Lembro-me apenas de meu corpo produzir uma substância, ao longo do dia, e eu tomar aos poucos, em doses regulares.
... 

Ah, sim, e ter virado tudo à noite, numa explosão impetuosa de certas coisas que deveria fazer. Após isso, lembro-me de ter voltado ao estado inicial, mas com algumas lembranças que me chateavam.
Me distrai como pude, e dentro de mim, algo estava sendo ainda produzido, em silêncio.
 

Tinha aparência real.
Personalidade.
Movimentos próprios...
...e por fim, nome.
Nunca a vi na vida.

Veio abalar o meu coração, numa noite de 12 horas...


Numa confusão onírica, embora me encontrasse dormindo, misturou as cenas do que vi ao longo do dia. Lugares que frequento ou frequentei. Ela estava lá; apareceu. Não sabia de onde tinha vindo. Mas sua personalidade forte logo de começo me chamou a atenção.

O que geralmente acontece com os outros começava a acontecer comigo. E minhas paredes sumiam interessadas na suposta armadilha...
Seu rosto, cabelo, corpo, e o sorriso, revelado no fim, era um grande conjunto de pequenas peças pregadas com o intuito de adentrar em minha vazia caixa toráxica, que não bate nessa sintonia já faz um tempo. E olha só, que novidade: desta vez, não trazia em sua bagagem nenhuma semelhança do que eu já cheguei a gostar...
Era nova,entretanto, nem tanto. Vacilava em uma ou duas frases, embora seu império interior possuía um semblante das muralhas mais altas e sólidas. Mas já admirei inúmeras de longe; pensava assim e, logo que me aproximava, percebia que eram feitas de papel machê.

Essa, como ser humano, não era diferente...


Nosso definitivo encontro teve de esperar, por conta de uma confusão mundial que veio como um conflito em nosso enredo. Claro, tinha de ser no nível baseado no que vi no mundo real, pertencendo a mais um mundo imaginário, que por loucura muitos desejam, e eu simplesmente temo que isso ocorra.

O tempo foi rápido em cuidar dos detalhes da vitória, e tão logo me encontrei com ela novamente. Acho que agora sim, conheceria aquilo que eu estava disposto a viver novamente...

Mas...

Uma outra pessoa entrou na mistura...Disposta a lutar pelo que acreditava. E me encontrei dividido.

O Medo e Sentimentos tomam formas infinitas dentro do Mundo Amplo da Madrugada. Controlam corpo e imagens feito marionetes. E não tem dó da sanidade mental de seu Sonhador...
Por fim, tudo isso acaba com uma cena que reflete algumas culpas e alguns ressentimentos, que desencadeou o ápice do dia anterior. Eu a escolhi, e fazendo isso, deu a entender que estava dando uma nova chance. Para mim. Para nós.

O despertar trouxe consigo a ressaca. Agora sim, me lembro. Ontem a noite eu produzi meio litro de veneno e ingeri ao longo do dia e, a noite, tomei tudo o que restou num só gole.

Não era à toa que me encontro desse jeito. Mas tudo que aumenta no mundo dos sonhos, perde sua força se voltar para ele.

Por ora deixarei você lá novamente. Me perdoe, meu mais novo amor: não é nada pessoal.

Posso até dizer que, se não fosse por você, duvidaria que existe uma fagulha que poderá acender mais adiante. Obrigado, de alguma forma. Mas suas coincidências  no mundo real não me assustam por enquanto.


Agora, Adeus.






domingo, 30 de junho de 2013

Uma Carta Inesperada

Sabe, eu admiro um certo lugar. Existe uma visão, dentre outras (e não sei dizer se são muitas) que me encanta e seduz. Não carrega nenhuma natureza pervertida ou sexual, muito pelo contrário: traz em si uma essência calma, mística e serena. Certas obras me fizeram lembrar que eu, quando era pequeno, ficava esperando essa visão aparecer para contemplar. Ficava horas e horas ali, admirando. Tentava não deixar escapar nenhum detalhe daquele mundo. As vezes sinto muita familiaridade com essa visão, esse lugar. Lá guarda-se muitos segredos e tesouros. É praticamente um reino, onde desejo incessantemente conhecer, sentir, tocar. Se pudesse, seria um dos guardiões dele, entretanto nem sou tão honrado assim.
Assim como uma garota bonita que minha infância sente receio de se aproximar e só fico distante admirando, minha relação com esse reino é igual.
Todos tem a sua hora para conhece-lo de fato.
Eu, impulsivo , tentei burlar minha chegada lá diversas vezes...sem êxito.
Onde eu moro, não é proibido, mas é loucura querer chegar neste lugar antes do chamado. Quebra algumas regras. E isso é visto com maus olhos.
Até um tempo atrás, tentei fazer uma nova viagem.
Só porque eu recebi uma notícia que eu não esperava...
Foi diagnosticada uma relação com nomes e listas de quem poderia ir pra lá...
E, numa lista onde dizia: "possíveis" pessoas, havia um nome que eu conhecia muito bem...

...Uma pessoa que eu amo...


Essa lista considera quem quer. Ela não é e nunca será definitiva, pois os reinos e os mundos se interligam através de ações e fatos. Parece que tudo é mutável e decidido dentro de curtos espaços de tempo.
Para que a viagem ocorra, e essa lista torne-se definitiva, exige-se uma série de ações (ou não) que fazem que se aproxime mais a partida. Mas ela age mais como se fosse uma notificação pelo correio, dizendo que o reino está de olho nessa ou naquela pessoa, para "convida-la" a fazer parte dele. "Convidada" porque o resultado final é mutável. Acho...
Porém, de novo, antes mesmo de recebe-la pelo correio, só do fato de desconfiar que a carta chegaria, lá vai o menino para o quintal fazer sua nova tentativa. Suas habilidades lhe fazem crer que desta vez a viagem será feita. Esse menino não poderia ser outra pessoa, senão eu.

As vezes que tentei não consegui e as vezes que pareciam que me chamavam, fui relutante.Não estava pronto. Sentia ter deixado uma ou duas coisas para trás, ou não estava trajado adequadamente para uma viagem tão longa e bonita.
O meu quintal estava bagunçado. Uma geringonça, similar a um foguete no maior estilo Steampunk, estava já apontado para o destino. Montei-o e acionei a alavanca. Não antes, é claro, de ajeitar os óculos para a ocasião. Até que desta vez eu até tinha mudado a cor deles: Apostando na hipótese de que, não sendo chamado, eu seria proibido de ver como era a viagem, os segredos e suas belezas, eu coloquei um óculos preto de aviador, que me deixava cego e mal enxergaria minhas atitudes ou até mesmo os detalhes do passeio. Ele também não deixaria nem sentir o vento e a velocidade que eu partiria...
O mais importante era tentar entender o que passava pela minha cabeça naquela hora:

"inveja"?, "desespero"?, "medo e covardia"?...

Não sabia. Não entendia. Eu sou um menino. Não entendo essas coisas...
O lançamento foi feito. E quem via de fora, avistava a sombra de um arteiro em cima de um foguete, que lançava fumaça e via que, desta vez, aquela criança da vizinhança chegaria ao seu destino.
Foi então que eu, sem ver nada e sentir nada, percebi que o que eu queria e estava fazendo era loucura. Não valeria a pena. E mais : se eu fosse, eu deixaria algo pra trás:


A chance de salvar. Ou me despedir.


Desejei que a máquina desse um pane nas alturas, e prontamente fui atendido, aterrissando numa queda que terminou numa forte pancada no chão e fui arremessado, com diversas cambalhotas, até parar, a muitos metros do meu quintal. Meu amigo, que cansara de ver minhas tentativas frustradas, estava estrategicamente parado, esperando eu cair dos céus, no resultado de mais uma falha minha. Até me admirou ele saber o local exato onde eu cairia, e me aguardava pacientemente, como sempre foi.
Ele não falou nada. Só me estendeu a mão. E abriu um leve sorriso. E me deu um tapa de leve na cabeça...

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Agradeci mentalmente o resultado desastroso da minha não viagem. O jeito era ficar. E só tomar uma atitude após a carta chegar.
Mas nunca deixei de admirar. Todo dia estava lá, ou pensando num jeito de ver o reino de perto, claro, sem forçar nenhuma natureza.

...E, dentro da infancia de um passado não tão distante, lembrava que me encontrava deitado, desde pequenininho, ali, no degrau, olhando. E alguém estava perto de mim, não admirando, mas ocupada em outras tarefas. Então eu alternava minha admiração entre o reino e o meu amor.

Os dias correram...

Até...

...O correio chegar com uma carta. Bem diferente das demais.

Eles mandaram uma carta estranha. Eles seguem uma ordem de envio. Entretanto o que chegou em casa foi uma carta avançada. Pulou alguns protocolos: O reino deixou claro que QUER MESMO quem ele escolheu.
A carta nos roubou alguns preparativos internos. No começo, ficamos sem reação. Mas isso, de alguma forma, nos fez pensar melhor no que fazer...
Posteriormente, parece que mandaram a carta errada. Bem, pelo menos na ordem. A outra chegou, depois de alguns dias. A que esperávamos,sem nenhum pedido de desculpas pelo erro deles sobre a ordem de notificações. Deixando de lado o que não nos convém, começamos a nos se concentrar no que iremos fazer daqui para frente...

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Agora, me encontro alerta. Bem sentido. Acordado, e meio triste.
Já buscamos informações de pessoas que receberam a carta mas protelaram sua viagem, fazendo acordos e tomando atitudes para que o reino espere um pouco mais.

E é nessas horas que eu não sei como agir. Não sei se antecipo minha raiva por algo que sempre admirei e nunca entendi sua forma de pensar, por ter observado minha casa de longe e ter apontado para alguém próximo a mim. Tenho medo de descobrir que seu brilho é feito dos brilhos de quem está aqui por ora, e não reconhecemos.

Sério, não haverá mais graça se isso acontecer.
Não quero não saber em que ponto estará, em que brilho se esconderá, caso a viagem seja realmente feita.
Não quero olhar para tudo e achar que tudo está me presenteando com o efeito dos mais bonitos tesouros.
Eu ainda preciso amadurecer. Eu não estou preparado para fazer novas tentativas e não receber uma bronca por estar bagunçando meu quintal com ideias malucas.

Não quero que me preguem uma peça. Não quero me sentir triste e feliz, mais do que já estou.
A confusão é demasiadamente expansiva. Minha felicidade e dor se espalha feito constelações num fundo negro que faz parte dos meus sentimentos obscuros que ainda não tomaram forma.


Talvez eu não possa conseguir odiar algo que sempre admirei.
E quero acreditar que o que vem de lá não é nada pessoal, pelas minhas tentativas de tentar chegar lá sem o convite.
Mas não deixarei que venha a próxima carta. Não por enquanto...


Não até eu me sentir maduro e crescido, pronto pra abandonar minhas bugigangas no quintal e seguir em frente...













segunda-feira, 20 de maio de 2013

Ai,ai, Eyes...

Essa demora realmente me incomoda. Mas ultimamente não vejo outra solução: prefiro não forçar nada. Esse texto não dependia apenas de uma mera inspiração. Ela tinha de ser um pouco mais verdadeira como de costume pra digerir e disseminar o assunto. De tão "simples e polêmico" que é, receio comenta-lo e logo mais se tornar obsoleto e ultrapassado. Não pela fama do Blog, mas como uma ferramenta de sobrevivência.

A pergunta é: Por onde eu andei?

Leitores, creio que além dessa, há uma outra pergunta: O que meus olhos viram?
E talvez verão o que eu vi, comentando sobre o que meus olhos nada viram...


Existe uma técnica importante para se viver melhor, assim como tantas outras que garantem um bem estar, ou uma vida regrada, longe de complicações que podem aparecer futuramente. Assim como tantas outras, é de difícil aplicação, dependendo de como vive ou "enxerga" as coisas.

E é a parte que deve ser treinada, na mais bonita coincidência e ironia: os olhos.
Para eu ser mais claro, a pergunta é para todos e para mim mesmo: Que olhos eu coloco nas coisas?

Pensar positivamente nunca foi muito o meu forte, mas sempre foi um dos jeitos de se viver bem. Se tornou mais difícil ao longo dos anos na Fantástica Linha Cronológica da Humanidade, por conta de diversos fatores desesperançosos e hediondos. Mas assim como um efeito Poltergeist, a manifestação só acontecerá se caso houver pelo menos UM ser humano ali, no local.

Mas pensar positivamente faz com que você atraia apenas (apenas?) uma boa vibração, boas energias e livrará  a cara do cidadão em quase 50% ou mais de qualquer mal que te espera sentado, invisível, desde do beco mais escuro quanto a pequena brisa que se instalou na sala quando você abriu a porta ou deixou a janela aberta. A parte da porcentagem é mentira: mal sei a quantidade que pode salvar semanas a fio do ser vivo. Mas garanto que funciona.

Fora isso, tem a parte que usamos para captar os acontecimentos. Os 5 sentidos entram em ação e se a coisa tá feia, com muito custo acionamos o sexto. Mas como metaforicamente o mundo bota a culpa no coração  quando falamos de amor, então vamos usar um bode expiatório (piada bem encaixada!) e jogaremos a responsabilidade nos Olhos para captar melhor a visão. Pra quem enxerga, será muito mais fácil entender. Pra quem não pode enxergar por algum motivo e está recebendo auxilio para esse texto, nem precisa muito: creio que vocês já sabem a forma certa de enxergar...


Para o especial viajante de um certo deserto ou para uma menininha chamada Pollyana, é uma das mais importantes bagagens, principalmente quando sai de um asteroide  para conhecer os mundos quanto para sair de um orfanato que não te suporta mais. O manual diz claramente: "Se vai conhecer outros lugares, treine sua visão e interpretação."

Fácil? Nem um pouco.

Conheci uma vez uma pessoa que dizia que conseguia se expressar melhor escrevendo. Hoje eu entendo. Veja como é fácil encontrar livros didáticos porém dificil encontrar pessoas que consigam botar em prática à risca o que aprenderam neles. Veja quantos escrevem Blogs...rs Porém quantas pessoas estão em em paz...?

Tudo isso soa como bancar um palhaço, além do que o Brasileiro faz rotineiramente, todos os dias, no quesito "política". É mais delicado porque é algo mais profundo. E que, com sabedoria, resolveria também essa parte chata das leis nos fazerem de otários...

Acontece, na vida de cada um, pelo menos durante 24 horas, MUITAS coisas. E elas precisam do Ser em questão que até então assiste ou sente (cuidado: estamos ficando automáticos nisso!) pra serem melhor pensadas e interpretadas. Um povo não pensante é facilzinho de controlar, mas não é bem onde quero chegar. É preciso enxergar de uma forma diferente...

Reclamamos das coisas ruins automaticamente. Negamos uma parte ruim para o nosso orgulho, e que na Teoria do Plano Maior faz todo o sentido: "Existe um aprendizado nisso?"

Se Você, leitor, consegue chegar até aqui, pensando nessa frase, seja qual for sua crença, parabéns! Começou a tentar colocar outros olhos nas coisas.

Sim, lá fora tem pessoas perdidas (ou ruins, se preferirem), tem acontecimentos horríveis e tanta coisa que realmente desanima qualquer um. E colocar bons olhos nas coisas é extremamente cansativo. Parece que ninguém aprende com os erros: nem eu, nem você, e nem seu vizinho ,que parece ter uma gram bem verde no quintal dele.


A gente começa pelas coisas pequenas. Não é jamais pelas coisas grandes: o nível é astronomicamente mais avançado que nossa reles ignorância suporta. Não queira, logo de cara, achar que pode colocar bons olhos para com a morte de alguém que você gosta ou ama porque automaticamente, caso não esteja preparado, sua ira cairá diretamente em Deus. Mas daí também é ruim porque caso não acredite, a culpa cairá sobre quem?

Ironia profunda à parte, não faço o tipo religioso e acho que sou mais Iluminista do que outra coisa. Os rótulos modernos me chamam de Agnóstico e eu prefiro o meu nome mesmo. Mas qualquer que seja a crença do indivíduo, é preciso colocar outros olhos nas coisas.

Talvez, coisas boas e ruins aconteçam justamente porque ora colocamos, ora não. E cada momento cria, a partir da escolha de ter colocado ou não, dois acontecimentos paralelos. Mas apenas um vai cravar na nossa Realidade. A gente pode rir, ou pode chorar.

Muito complexo, muito complexo. Estamos fadados a um tempo muito curto chamado Momento. É nele que podemos dançar feito bobos ou clamar a vitória feito herói. Mas precisamos fazer. Agora.

Sim , essa última frase diz claramente que, NO MOMENTO, creio nisso. É algo não praticável em abundancia  mas que se feito, não sairá de moda.

Estrelas, crianças, gestos e cores. A verdade é mutável e o segredo está ainda por trás dessa mutação.
Um par, ou um só, ou nenhum. Tanto faz. Muitas vezes, o que queremos enxergar não consigamos através dos próprios olhos.

Só se ve bem com o...

Opa! Você? De novo?
Tudo bem. Mas vai precisar de algumas coisas pra funcionar perfeitamente neste ponto...rs

 Ah, sim. E quanto aos lugares que eu estive, nesse meio tempo?

Poderia dizer que vivi dias infernais, mas por que falaria assim?!

Não ficaria melhor dizer que passei os dias pendurando as roupas no varal de ponta-cabeça, andando no meio-fio da calçada, me equilibrando numa corda-bamba numa simples recreação infantil, atravessar as ruas sem olhar para os  lados e com o som alto?!

A última parte também é mentira.


O resto tudo fiz, inclusive usar o pijama ao contrário.

Mas só porque o meu lado criança adora ganhar presentes...






quinta-feira, 11 de abril de 2013

Rodah nos Sohnos

O menininho de 5 anos acordara chorando. Um desespero e um aperto no coração o fez levantar rapidamente da sua cama com os olhos cheios de lágrimas quentes que ainda escorriam pelo seu rosto.
Atordoado e querendo ver apenas uma só pessoa, ainda zonzo correu pelo cenário de seu quarto que conseguia reconhecer, mas ignorava todos seus elementos. Com seus pequenos braços, suas mãos deslizavam pelo corrimão da escada de madeira e em carpetado de um verde- escuro, e seus pés faziam tamanho barulho cada vez que encontrava um degrau abaixo que sua mãe veio lá da cozinha, assustada, achando que seu filho tivesse caído.

- Mamãe, mamãe! - Falava o menino, soluçando e feliz por encontrar, na sala e olhando-o na escada, sem entender nada, a pessoa que tanto ele desejava ver.

- O que foi, filho? O que aconteceu? - Perguntou a mãe, com um tom de grande preocupação e amor.

O rosto do menino encontrou o ventre da mãe e se afogou em lágrimas ainda mais sinceras. Tudo ficou escuro pois se negava  olhar ao redor: bastava o perfume, o avental ficando úmido e o abraço quente de sua protetora para calmar o coraçãozinho dele.

Quando ele se acalmou um pouco, sua mãe pegou-o no colo e colocou-o em cima da parte alta do encosto do sofá, fazendo com que aquela criaturinha  pudesse se expressar melhor olhando com menos esforço pra cima afim de encontrar os olhos de sua criadora. A mãe já fazia ideia do que era:

- Você teve um pesadelo, foi?

- Sim, mamãe! - O menino ainda soluçava.

- E o que você sonhou de ruim? - Perguntou a bela jovem de cabelos negros, provenientes de uma descendência misteriosamente desconhecida.

O menino então, começou a relatar:

- Mamãe, eu sonhei que o mundo mudou! Lá fora as pessoas se odiavam, mas poucas revelavam isso. Todo mundo ou quase todo mundo mentia, e fazia outras pessoas chorarem. Sonhei que as pessoas se esqueciam de quem eram no começo e seus sonhos eram mudados ou roubados várias vezes.
Dai, mãe, daí eu cresci junto com todo mundo. Aos poucos eu fui mudando e esquecendo quem eu era. Mas daí eu fui vivendo. Gostava bastante de pintar mas as pessoas viam e faziam eles ficarem preto e brancos e diziam pra mim que tava tudo errado nele. Mas queriam trocar eles por uma bala. Uma bala só, acredita, mãe? Eu achava que o que eu fazia valia muito mais, mas o planeta não achava isso.

O menino tomou mais fôlego e continuou:

- Daí eu comecei a trabalhar, mas as pessoas em volta de mim ficavam doentes ou morriam. Todos os dias, todos os dias. Na televisão as mortes eram coisa normal, e todos assistiam , parados, como se fosse normal tudo aquilo. Ninguém ia lá ajudar. Aí também muitas rezavam para o Papai do céu, mas tinha muitos papais dos céis e cada um era diferente do verdadeiro. E as pessoas brigavam pra saber qual Papai do céu era o melhor. Aí nisso mais pessoas morriam. Daí eu, com medo, escolhi não ter nenhum também...

Os olhos do pequenino agora pareciam se focar em algo distante, e triste, que chocava com a sua realidade pura:

- Eu lembro que magoei aquela menina da minha classe que eu gosto porque eu mais velho não encontrou ela. E acabei achando outra menina. E eu BEIJEI ESSA NA BOCA! BLAGH!! Eu não acredito que eu enganei ela e eu, porque eu gosto dela ( a da minha classe). Tanto é que eu disse que eu quero casar com ela, mas no sonho era outra. E depois da primeira, veio muito mais.

Agora o garoto gesticulava mais e mais com as mãos, não contendo as imagens que viam enquanto ia dizendo detalhe por detalhe do pesadelo:

- Mamãe, o mundo tava cheio de gente, mas todo mundo se sentia sozinho, e uma mancha preta tomava conta do coração e do corpo da pessoa. Existia coisas que matava mais rápido, e daí comecei a beber e fumar cigarro que nem os adultos! Acho que também eu era... Eu estava crescendo, mãe, mas que nem eles!
Sonhei que a gente usava diversos aparelhos do futuro para conversar com os outros, mas a gente não sabia conversar direito com os amigos ou as pessoas porque a gente era burro! A gente gostava mesmo era de xingar as pessoas. O significado das palavras estava tudo ao contrário, e isso criava ainda mais confusão, porque cada um dizia uma coisa, e eu não sabia em que acreditar.

Uma expressão de assustado deu lugar agora a uma tristeza quase sem fim naqueles olhos que cismavam brilhar com a quantidade de lágrimas que queriam sair:

- Mamãe, eu sonhei que eu estava longe de você, do papai, e do meu irmãozinho que ainda nem nasceu. Ele morava com vocês, mas eu não. Eu fui morar longe de vocês. Eu buscava alguma coisa, mas isso vivia se escondendo de mim. Acredita? Eu, morar sozinho, longe de você?

Ele começou a chorar de novo, mas continuou:

- Conheci amiguinhos e amiguinhas também, adultos, mas poucos falavam de quando era criança. Alguns mal brincavam. Queriam fazer coisas de adultos. Daí eu também fazia cada vez mais com eles, até que eu esqueci de assistir desenho, andar de bicicleta, pintar. Daí, mãe, daí eu não dava mais risada. Achava todo tempo que ia morrer. A vida ficou sem graça. Eu não tinha mais meu ioiô, meus amiguinhos de escola sumiram, quando a gente voltava a se ver, a gente tinha se esquecido um do outro e no fim, no fim, meu avô, minha avó, meu pai e você tinha morrido.

................

Agora as lágrimas se tornaram constantes no menino, tanto que esse final ele dizia perdendo quase a voz, por culpa da linguagem do choro:

- Mamãe, você vai morrer? Eu não quero isso! Eu tenho medo de perder você, o papai, meus avós e meu irmãozinho. eu preciso de você, eu mal sei ir dormir sozinho do escuro. Por favor, promete pra mim que você nunca vai me abandonar. Promete? Que você não vai embora? Eu amo ser criança. Até lembro que eu conheci umas crianças que me faziam lembrar as vezes que eu já tive essa idade que tenho agora, mas a magia delas pra acontecer isso durava pouco tempo. Eu nunca vou esquecer de mim,, nem de você. Eu te amo, mãe!

A mãe dele riu com os olhos cheio de lágrimas e disse, após ele terminar:

- Seu bobo! Você só teve um pesadelo. Eu nunca vou te abandonar. E por que você está com esses papos doidos de morte? Sua mãe aqui, seu pai e sua família toda vai viver bastante tempo. Até você! Agora vem aqui, pra eu te abraçar forte! Já passou, já passou...

O menino soluçava de tremer. Quando se acalmou, limpou o rosto na roupa da mãe, que lhe cariciava sua cabeça, e a beijou no rosto e perguntou:

- Mamãe, quando eu crescer eu vou perder o medo do escuro?

- Sim, filho. Creio que sim. Você será muito corajoso quando crescer! E vai me dar muito orgulho! - disse docemente a mãe.

- E as pessoas, elas são ruins?

A mãe fez uma careta como se quisesse rir, mas não teve tempo para responder. Veio uma outra pergunta do pequeno:

- Mãe, será que um dia eu vou esquecer de quem eu sou?

Esta sorriu, e respondeu como se fosse algo bem óbvio:

- Você, se esquecer de si mesmo? Você é ótimo naqueles jogos de memórias, realmente um espanto! E tem mais: Não tem como se auto-esquecer.

O menino se tranquilizou. Por fim, disse:

- Mamãe, eu gosto muito de você!!

- Eu também gosto muito de você, Rafinha. Agora vai tomar seu leite porque eu já comecei a fazer o bolo de chocolate.

- Bolo? Eeeeeeebbaaaaaa! Ué, mas alguém faz aniversário hoje? - perguntou o curioso menino.

- Você, Rafinha. Se esqueceu, foi? - a mãe brinca, e continua- Hoje você faz 28 aninhos...


Uma voz, que não estava na sala, ecoa:

- Hey, psiu! Acorde, senão você vai perder a hora...


.....................


O quarto escuro. Essa pouca iluminação: Agora constante, mas nunca gostei...
Avisto o gato que ronrona tranquilamente sobre meus pés, no edredom.
O cenário é totalmente diferente do que eu me encontrava agora pouco.
Meu corpo está maior e mais pesado. E me dei conta que acordei sozinho, no escuro.

Quanto tempo se passou, desde então?


Olhei ao redor e por alguns segundos, eu não sabia onde estava. "Onde estou?", "Quem sou eu?", " Meu nome...? Ra...Ra...f..."

Por instinto rotineiro, pego minhas coisas e saio. Apesar de ainda noite, é só mais um dia, acho.

Estou ciente de que estou acordado.

Entretanto estou crente de que ainda estou dormindo...



segunda-feira, 1 de abril de 2013

Estalo

É. Hoje não temos nenhum texto original (não de minha autoria, ao menos) e cá entre nós, não sou daqueles que vive postando poesias ou músicas de outros artistas, embora eu ame músicas e os segredos contidos em suas respectivas letras.
Vou deixar aqui hoje uma muito especial, que eu ouvia desde pequeno e achava fabulosa, e me impressionava mesmo eu sendo prisioneiro de um limite mental de uma criança de 3 a 5 anos de idade...

...Assim como muitas mexeram ou mexe comigo, esta não foi nem um pouco diferente...
...Uma pergunta ainda persiste, desde aquele tempo...
...Ela continua a martelar na minha cabeça...
...E também me pergunto se essa letra incomoda os outros tanto quanto me incomoda...


... Cazuza~Ideologia

Meu partido
É um coração partido
E as ilusões
Estão todas perdidas
Os meus sonhos
Foram todos vendidos
Tão barato
Que eu nem acredito
Ah! eu nem acredito...
Que aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Frequenta agora
As festas do "Grand Monde"...
Meus heróis
Morreram de overdose
Meus inimigos
Estão no poder
Ideologia!
Eu quero uma pra viver
Ideologia!
Eu quero uma pra viver...
O meu prazer
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs
Não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar
A conta do analista
Pra nunca mais
Ter que saber
Quem eu sou
Ah! saber quem eu sou..
Pois aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Agora assiste a tudo
Em cima do muro
Em cima do muro...
Meus heróis
Morreram de overdose
Meus inimigos
Estão no poder
Ideologia!
Eu quero uma pra viver
Ideologia!
Pra viver...
Pois aquele garoto
Que ia mudar o mundo
Mudar o mundo
Agora assiste a tudo
Em cima do muro
Em cima do muro...
Meus heróis
Morreram de overdose
Meus inimigos
Estão no poder
Ideologia!
Eu quero uma pra viver
Ideologia!
Eu quero uma pra viver..
Ideologia!
Pra viver
Ideologia!
Eu quero uma pra viver...

domingo, 24 de março de 2013

A silenciosa e diária luta contra o

Quando temos um alvo, um ponto vermelho ou qualquer outra cor que indique onde deve acertar; Uma massa, matéria que está ali, dizendo com todos os códigos do Universo que precisa ser enfrentada; que trocará energias agressivas conosco ou partirá para cima, mesmo nós não fazemos nada e, que a nossa vida se baseia em lutas e instintivamente teremos de nos defender, atacar, acertar e conquistar a vitória, subjugando o adversário, se torna, ao ler essas linhas, algo fácil e desafiador na teoria.

O coração acelera e sentimos o sangue ser bombado mais rápido pelas veias, quando passamos do estado teórico e vamos logo à pratica.


Mas, e se o alvo, inimigo ou adversário for invisível?


E pior: usando nós mesmos para nos auto-atacar?


Antigamente, os sábios e os mais evoluídos espiritualmente, segundo constam em páginas e na imaginação da humanidade, eram avisados de maus presságios através das estrelas - pontos luminosos que continham O Mistério e a Verdade, ou através das tempestades que se aproximavam. Eventos naturais, hoje em dia comuns e conhecidos por todo o mundo, eram antigamente devidamente respeitados, estudados e até temidos.
Ficou tão banal nos livros de Ciências que a crença e os estudos tão genuinamente ligados com a Verdadeira Natureza não passa hoje de Mitos, e mais uma vez, o ser humano atira no próprio pé, ignorando o que poderia muitas vezes salvar a Vida ou faze-lo pensar mais vezes.
Mas nem tudo está perdido: embora as forças, tanto do Bem quanto do Mal existam, elas ainda são avisadas por coisas simples. Como? Quando se trata de algo ruim, se manifesta nas coisas que mais nos chateamos e mais queremos que passe logo: indisposição, vontade de chorar sem motivo aparente, etc. E quando ainda mais pesadas, em eletroeletrônicos queimando, sensação de falta de ar quando não se fez nenhum esforço físico, calafrios involuntários, crise de desespero, costas pesadas, vultos e imagens grotescas que se camuflam na sombra.

O Problema é que esses avisos ou sinais avisam não o que está por vir, mas sim o que já chegou.

A luta então se torna extremamente desleal, se tentarmos sozinhos. Não conseguimos afetar ou até mesmo mudar a realidade ao redor pois já estamos tomado por Fracassos, falta de energia, deficit de confiança e assim, fica muito mais fácil ser dominado.

Errar é humano, constantemente fica claro que tem algo de muito errado. Na lista, será atingido tudo que amamos e gostamos, desde pessoas até coisas abstratas que damos valor.
A sensação, além de uma luta perdida, é andar em cima de uma esteira que corre lenta e cinicamente para trás.

Lá fora, JAMAIS podemos mostrar fracasso. Pegamos a Máscara do Lutador Perfeito e vivemos nosso dia, repetindo inúmeras vezes que essas coisas não existem e que sermos de Energia (ironicamente constatado pela Ciência), nada influencia em atrair outros tipos de energia semelhante na qual nos encontramos. Porque vivemos uma vida séria e REAL, sem fantasias.
Neste ponto, gastamos mais energia como um ator num teatro apresentando um peça da qual faz por amor, por ser extremamente desafiador.

"O importante é lutar, lutar lutar e VENCER!" Repetimos a cada segundo. Mas lutar com o que? Com Quem? Nós mal o enxergamos. Nem sabemos onde está e mesmo que saibamos, não conseguiremos atingi-lo. E nesse mini-jogo, vai mais energia pro ralo, desta vez mental.

Precisamos acertar algo, dar um hit e mostrar quem manda. Quem? QUEM? E começa a ficar inconscientemente atrativo atacar ou ferir aquilo que sente, que chora, que se magoa.

...

... O Afastamento é o resultado daquilo que acertamos por desespero. Mas o inimigo e o alvo nunca foi o que derrubamos. Aquilo continua do seu ladinho. As vezes vai embora, satisfeito. Quando não, teremos o dobro dos problemas.

A quanto tempo estamos lutando sem saber? Além de não sabermos onde atacar, não nos avisaram que ainda estávamos lutando. Nossa... faz tanto tempo que não me lembro quando começou.

A mente vacila: não dá os comandos certos. Diz levantar o braço direito, mas só consegue o esquerdo que, sem muita habilidade, acerta o rosto com um tapa. O Erro acaba sendo divertido, mas não para nós. Apenas para quem controla. A brincadeira se torna instigante, divertida e mortal.

Vejamos o que mais dá pra fazer. Será que conseguimos brincar de se suicidar? É leve, vai ser legal e divertido...
O soco vai contra o espelho. Mal conseguimos acreditar que o Estresse do dia-a-dia, lidando com pessoas extremamente equilibradas e puras nos fez socar a própria imagem no espelho. Este, indica quem se machucou. O reflexo é só um reflexo. Mas o punho sangra e sente dor. Com sorte, não irá ao médico e não trará nada dos corredores daquele lugar bem movimentado, até quando está vazio...

Bacana. Gostei dele. Vou querer levar comigo. Parece que aqui será mais divertido com a sua presença.
Armadilhas são um estágio bem avançado da luta cega. Ela ainda continua desleal. A mão louca para acertar algo, insana, quer ainda combater, mas tudo que acertou materialmente está longe. Mas o espelho é traidor e já indicou quem é o mais próximo.Ainda existe um. Um.

O pescoço sente-se apertado. O Coração se desliga de tudo que já foi Amor na Terra. Os olhos enxergam gradativamente as cores escorrerem e secarem no chão, deixando tudo preto-e-branco.
A sensação de estar longe, e não aqui neste mundo.
Um cigarro aqui e um copo ali alivia a tensão de quem está perdendo, e deixando um passo ainda mais perto de perder.
A mente chora pelos membros estarem tremendo de cansaço. E começa a achar alguma outra alternativa, pensando se tudo isso tem ou faz sentido.

Por fim, quando a Morte não é o juiz do fim da luta, um suspiro de Luz passa relampejante no Território dos Pensamentos: Será que, minha desistência está sendo de alguma forma, controlada?
Se conseguir provar que sim, então presume-se que ainda haverá mais alguns rounds. os pés dançam descoordenadamente enquanto a arma engatilhada está apontada para algum canto escuro da casa. Mas isso só dentro da mente já infectada: na verdade ela está apontada na região acima da orelha ou dentro da boca da marionete. As balas são invisíveis no tambor, mas acertam e seus efeitos são bem reais.

Pra vencer, é preciso unir duas letras. Uma consoante e uma vogal. Só. Só.
Mas, a esta altura, foi roubado de nós o estudo e a crença no Alfabeto. E letras são só letras.
A última luta, na beira do abismo: Lutar contra o que foi desacreditado.

Resgatar o que foi perdido.

E chutar o traseiro das sombras que nos enforcam.

sábado, 16 de março de 2013

O Profundo Esquecimento

...Agora, se deparou com uma "realidade" a ser observada. Tudo aos poucos, começa e ter o brilho desfocado por uma espessa névoa negra. Ainda não possui assombrosa densidade, no entanto ela já pairou.
Está sendo respirada diariamente, segundo a segundo, pelos que lutam para sobreviver. Desde os mais nobres aos mais miseráveis, pouco se importando com classe, cor ou credo, tudo está sendo banhado por "isto".
Qual o efeito dessa névoa?


...O Esquecimento...


As buzinas. As poluições normais de um lugar populoso, o barulho de um milhão de vozes, sirenes, motores, tudo está dentro de uma confusão. Não sei até onde essa confusão é proposital, mas agora ela começou a rodar.
Olho pra cima e não vejo mais nuvens: carros, árvores e casas rodopiam numa caótica dança dentro da ignorância.

E fechamos os olhos, por achar que apenas "ciscos" irão incomodar nossa visão. Talvez pelo fato de parecer que o tempo encurta quando estamos de olhos fechados, e desejando que tudo isso passe bem rápido. Não passará pois dai notamos que estamos esquecendo de algo...

O Primeiro Esquecimento: Do Perigo.

É mortal permanecemos indiferente de tudo que está pronto para nos levar brutalmente daqui. Não mexemos um músculo para entendermos ou até mesmo mudarmos a origem do furacão que, com suas infinitas voltas, varre sem pensar e pesar o que encontra em seu caminho: alimenta-se dos gritos e goza da visão em arremessar objetos mortos e vivos para cima, dilacerando-os em sua dança negra.

Os que fazem um relativo esforço também não agem certo, mesmo acreditando no contrário. Colocam fones ou tapa ouvidos nas orelhas de nossas crianças para proteger desse "vento passageiro" que desde os primórdios ele existe, mas não era de todo esse poderio. Acham que estão protegendo-as. Estas, por sua vez, ouvem apenas o barulho que querem. Os pais não sabem , ou não querem pensar que futuramente, eles tirarão os fones e nada saberão fazer quando se depararem com o barulho monstruoso do redemoinho da destruição.


Entra em cena o Segundo Esquecimento: Os outros.

Aos poucos aprenderão a esquecer do que gira, se despedaça e morre na ventania, pois sempre foi assim e sempre será. Aqueles que ficarão chocados, uma hora deixarão de se importar. Os que já não se importam, uma chuva vermelha será encarada como um fenômeno natural. Detesto ir mais longe e imaginar pessoas se maravilhando com tal cena.
Em dias de chuva, o chão de lama será o menores dos problemas. Sujos, incapazes de reconhecermos o próximo ou até mesmo o nome das coisas, não conseguiremos conversar mais a não ser por urros e grunhidos. Quando tentarmos algo que precisaremos pedir, agiremos com violência para prestarem atenção nos nossos movimentos que codificam a urgência e desespero e, dominando ou despedaçando a alma do nosso igual, teremos poder sobre eles. Um mestre sujo comandando escravos imundos.

No meio da lama, sujeira e caos, sem poder ler nossos códigos e sorrisos diretos da alma ,lembraremos por ultimo o que acabamos de esquecer logo de começo.

O Terceiro Esquecimento: De Sí e de Nós mesmos.

Não sobrará mais nada. Como já fora alertado por pessoas que se importavam em tentar passar mensagens; entretanto essas próprias mensagens nunca chegaram a elas mesmas. Heróis cairão e sucumbirão ao triste esquecimento.

Eles, como responsáveis por grandes feitos, começaram a cair. Nunca pensei que fossem eternos, mas também nunca procurei me focar nisso. Agora a hora chegou, e não consigo impedir que seus pulmões não aspirem o ar tóxico.

Se é o momento final de testes, choro em dizer que não estamos prontos, ainda que perdidos nisso tudo, tentamos fazer o nosso melhor...

Vejo todos entrando dentro do olho do furacão...
Cada dia sinto que as ruas estão ficando vazias...
Cada dia sinto que nossas forças também estão sendo drenadas pelo vento rodopiante dos céus...
Cada dia sinto que esqueceram o nome daquilo...daquela...dele...disso...

...nomenclaturando nosso lar como Terra dos Suicidas.

Tire os fones e tudo que tapa os ouvidos.
Abra bem os olhos e use tudo que aprendeu.Ainda que não será o suficiente, mas olhe quantos outros estão sujos e se debatem procurando forças ou respostas. SE, em algum momento conseguir lembrar de tudo que foi esquecido, grite bem alto para que todos ouçam o que foi tomado e devorado de nós.

E evitaremos que nossos heróis morram, respeitando com saudação os que foram e daremos brechas para que novos nasçam para um novo tempo que não veremos.